Pitlane

Norte-americano faz pole inédita de estrangeiro nas 12 Horas de Tarumã com Lamborghini

Cole Lofstgard tentará desbancar os atuais campeões da MC Tubarão na maior prova de endurance do RS

Lamborghini #81 parte na frente para o maior desafio das pistas gaúchas
Lamborghini #81 parte na frente para o maior desafio das pistas gaúchas Foto : Dudu Leal / Tarumã / Divulgação CP

As 12 Horas de Tarumã já tem um feito histórico nesta sexta-feira. O norte-americano Cole Lofstgard é o primeiro estrangeiro a cravar a pole-position a tradicional corrida de longa duração. Ele anotou a voltaça, em 1min06s256, a bordo da Lamborghini #81 que dividirá com Fernando Poeta, Fernando Fortes, Cassiano Trein e Christian Rocha.

Ele destacou os desafios e a "personalidade" da pista gaúcha. "É muito raro nos EUA, onde corri mais, pistas muito rápidas mas curtas como essa. É desafiador e tem que evitar erros, pois a parede está ali do lado", comentou após anotar o primeiro lugar no grid.

As “12 Horas de Tarumã” voltam a iluminar a madrugada gaúcha neste fim de semana, na prova de longa duração mais tradicional do esporte a motor brasileiro – a primeira edição foi em 1962, vencida pelos irmãos Fittipaldi quando ainda era disputada em Porto Alegre. “É quando o ano termina, mas também quando o novo ano começa no automobilismo”, destaca Né de Andrade, chefe da equipe MC Tubarão, atual campeã e que largará no terceiro posto do grid, com Carlos Belleza, Chico Möller e Franco Pasquale a bordo do MC40 #5.

12 horas de Tarumã | Foto: Fábio Leal / Divulgação / CP

Da meia-noite de sábado para domingo, entre 13 e 14 de dezembro, o maior desafio das pistas do Rio Grande do Sul dará sua largada para atravessar a noite de desafios. Mais do que uma corrida de resistência, o evento é celebrado por pilotos, equipes e torcedores como um ritual — para muitos, o ponto alto do ano.

Entre os que carregam essa tradição está Chico Möller, um dos pilotos do time campeão de 2024, ao lado de Carlos Belleza, Franco Pasquale e Tiel de Andrade. Ele viveu sua primeira 12 Horas aos 17 anos, em 1999, e chega agora como campeão da temporada. Mas, segundo ele, vestir o título não muda a essência da prova. “Participar das 12 Horas é uma oportunidade ímpar. É uma corrida que a gente se prepara, leva muito a sério, mas é uma festa. Cada corrida é diferente. A gente começa com as mesmas chances que todos, porque são 12 horas — a corrida se decide na bandeirada.”

Chico recorda a dramaticidade da edição passada, quando a equipe largou do fundo do pelotão e amanheceu na liderança, em uma virada digna da história da competição. Ao lado dele, Belleza brinca que é o "novato" do time, ao comentar o título. "A minha primeira 12 Horas foi em 1972", destaca. “Essa corrida tem um feitiço. Tem gente que não vai no autódromo nunca, mas vai para lá na quinta-feira acampar para as 12 Horas. Só começa o ano e só termina o ano se tiver 12 Horas.”

A receita do protótipo MC40 da Tubarão é a confiabilidade e consistência. "O primeiro lugar é a durabilidade. O carro não dá problema e Tarumã é a melhor pista para ele. O Carlinhos projetava o carro para correr 12 horas: tinha que iniciar e terminar. Quem termina a corrida tem chance de vitória", pondera o veterano.

Para muitos pilotos, a 12 Horas é mais que uma prova — é um rito de passagem. Alguns estrearam no automobilismo já encarando a madrugada de Tarumã. Outros chegam para sua quinta década desfrutando do maior evento do automobilismo gaúcho. Para o público, é a certeza de uma festa única: acampamentos, tradição, motores ecoando sob a escuridão, famílias inteiras atravessando a noite à espera do amanhecer.

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