As 12 Horas de Tarumã já tem um feito histórico nesta sexta-feira. O norte-americano Cole Lofstgard é o primeiro estrangeiro a cravar a pole-position a tradicional corrida de longa duração. Ele anotou a voltaça, em 1min06s256, a bordo da Lamborghini #81 que dividirá com Fernando Poeta, Fernando Fortes, Cassiano Trein e Christian Rocha.
Ele destacou os desafios e a "personalidade" da pista gaúcha. "É muito raro nos EUA, onde corri mais, pistas muito rápidas mas curtas como essa. É desafiador e tem que evitar erros, pois a parede está ali do lado", comentou após anotar o primeiro lugar no grid.
As “12 Horas de Tarumã” voltam a iluminar a madrugada gaúcha neste fim de semana, na prova de longa duração mais tradicional do esporte a motor brasileiro – a primeira edição foi em 1962, vencida pelos irmãos Fittipaldi quando ainda era disputada em Porto Alegre. “É quando o ano termina, mas também quando o novo ano começa no automobilismo”, destaca Né de Andrade, chefe da equipe MC Tubarão, atual campeã e que largará no terceiro posto do grid, com Carlos Belleza, Chico Möller e Franco Pasquale a bordo do MC40 #5.
Da meia-noite de sábado para domingo, entre 13 e 14 de dezembro, o maior desafio das pistas do Rio Grande do Sul dará sua largada para atravessar a noite de desafios. Mais do que uma corrida de resistência, o evento é celebrado por pilotos, equipes e torcedores como um ritual — para muitos, o ponto alto do ano.
Entre os que carregam essa tradição está Chico Möller, um dos pilotos do time campeão de 2024, ao lado de Carlos Belleza, Franco Pasquale e Tiel de Andrade. Ele viveu sua primeira 12 Horas aos 17 anos, em 1999, e chega agora como campeão da temporada. Mas, segundo ele, vestir o título não muda a essência da prova. “Participar das 12 Horas é uma oportunidade ímpar. É uma corrida que a gente se prepara, leva muito a sério, mas é uma festa. Cada corrida é diferente. A gente começa com as mesmas chances que todos, porque são 12 horas — a corrida se decide na bandeirada.”
Chico recorda a dramaticidade da edição passada, quando a equipe largou do fundo do pelotão e amanheceu na liderança, em uma virada digna da história da competição. Ao lado dele, Belleza brinca que é o "novato" do time, ao comentar o título. "A minha primeira 12 Horas foi em 1972", destaca. “Essa corrida tem um feitiço. Tem gente que não vai no autódromo nunca, mas vai para lá na quinta-feira acampar para as 12 Horas. Só começa o ano e só termina o ano se tiver 12 Horas.”
A receita do protótipo MC40 da Tubarão é a confiabilidade e consistência. "O primeiro lugar é a durabilidade. O carro não dá problema e Tarumã é a melhor pista para ele. O Carlinhos projetava o carro para correr 12 horas: tinha que iniciar e terminar. Quem termina a corrida tem chance de vitória", pondera o veterano.
Para muitos pilotos, a 12 Horas é mais que uma prova — é um rito de passagem. Alguns estrearam no automobilismo já encarando a madrugada de Tarumã. Outros chegam para sua quinta década desfrutando do maior evento do automobilismo gaúcho. Para o público, é a certeza de uma festa única: acampamentos, tradição, motores ecoando sob a escuridão, famílias inteiras atravessando a noite à espera do amanhecer.
