Por mais que a Indy goste de uma boa bagunça estratégica, de relargadas insanas e de vitórias arrancadas no fio da navalha, às vezes aparece alguém que simplesmente ignora o roteiro usual. Ignora não, esfarela! Alex Palou está fazendo na temporada e repetiu neste fim de semana na prova de Barber, no Alabama. E fez com gosto.
O espanhol da Ganassi tratou de transformar uma corrida em desfile. Cravou a pole, dominou 81 das 90 voltas e cruzou a linha de chegada com 16 segundos de vantagem para Christian Lundgaard de McLaren, seu mais próximo "adversário". Se é que dá para chamar de adversário alguém que só viu o carro #10 a vários segundos de distância.
Foi a 14ª vitória da carreira, justamente no mesmo traçado onde venceu pela primeira vez na Indy, em 2021. Três vitórias nas últimas quatro etapas. E agora 60 pontos de frente na liderança do campeonato, indo para Indianápolis com moral de favorito. Com aquele aparte de que as 500 Milhas nem sempre gosta de um favoritismo...
Palou largou, liderou, parou três vezes nos boxes com perfeição cirúrgica da Ganassi e retomou a ponta como se nada tivesse acontecido. Teve tempo até para guardar 63 segundos de push-to-pass - não precisou.
O mais próximo de dúvida foi quando Palou entregou brevemente a liderança durante a última rodada de pit stops. Mas bastou Lundgaard e Rossi irem aos boxes para tudo voltar ao normal. Na volta 68, ele reassumiu a liderança, e dali em diante, nem precisou olhar para os retrovisores.
O domínio foi tão absoluto que fez Scott McLaughlin da Penske, sempre espirituoso, resumir com franqueza: “Quando o cara está nesse nível, tudo o que podemos fazer é executar o nosso. A temporada é longa... ainda tem muito chão.” Mas mesmo o discurso paciente do neozelandês não esconde a realidade: se Palou seguir assim, o campeonato vai virar formalidade antes do tempo.
Sobraram elogios para a surpresa do fim de semana, Rinus Veekay, com um imenso quarto lugar na pequena Dale Coyne. Ele defendeu intenso ataque de Will Power, outro que fez boa corrida para segurar a posição. Atrás de ambos, pressionando, Pato O'Ward fez boa corrida de recuperação.
Enquanto isso, a categoria também comemorava outro feito raro: três corridas seguidas sem bandeira amarela - algo que não acontecia desde 1986.
E se Palou já venceu as duas últimas edições do GP de Indianápolis no circuito misto, agora parte para o desafio que falta em sua prateleira: vencer a Indy 500. No oval mais famoso do mundo, o espanhol buscará o que pode ser o ponto final de sua consagração total. Se vencer lá, a Indy vai ter de procurar um novo roteiro. Porque Palou está escrevendo o seu próprio - e não está deixando espaço para reviravolta.
