Numa corrida apertadíssima pela vitória, os deuses do automobilismo fizeram sua escolha, neste domingo em Zandvoort, no GP da Holanda. Oscar Piastri sofria pressão imensa de Lando Norris, mas a segunda McLaren abriu o bico, com um vazamento de óleo, dando larga vantagem para o australiano no campeonato. Max Verstappen celebrou com a torcida em segundo, num dia que restou perturbar as McLaren; enquanto Isack Hadjar cimentou seu prêmio de estreante do ano com um excelente pódio a bordo da Racing Bulls.
Na largada, Verstappen saltou como um foguete desgovernado de Elon Musk. Balançou para todo lado, mas segurou por dentro do carrossel da curva 2 e passou Norris. Mais atrás, outro destaque do dia. Alex Albon ganhou cinco posições na primeira volta e já surgiu perto da zona de pontuação com sua Williams. Fernando Alonso ficou preso entre Carlos Sainz e Tsunoda e acabou perdendo três lugares. Pior ainda Bortoletto, o brasileiro engasgou na largada e caiu para último.
O problema para Verstappen é que apostou tudo nos pneus macios, que acabaram rápido. Com isso, Norris se aproximou, usou a asa móvel e foi embora perseguir Piastri a prova toda.
A ameaça de chuva virou um chuvisco breve, que criou algumas armadilhas, mas não obrigou pit-stops. Com a dificuldade de ultrapassar, era hora de decisões táticas. A Aston Martin jogou tudo num super undercut com Lance Stroll e, algumas voltas depois, Fernando Alonso.
Tinha tudo para funcionar e a dupla estar no top 10 quando todo mundo parasse. Só que Lewis Hamilton caiu na armadilha. Pouco depois de pedir para antecipar o pit, botou a roda no molhado, rodou e bateu sua Ferrari. O safety car embaralhou as cartas e colocou a Haas na corrida, principalmente com Oliver Bearman.
Na relargada, Liam Lawson empurrou Carlos Sainz para fora da pista, resultando no furo de pneu de Racing Bulls e Williams e os dois fora dos pontos. Absurdamente, a direção de prova deu a punição para Sainz; mas fez pouca diferença no fim da corrida. Preso num trem de DRS, Alonso tentou nova jogada, parando para pneus duros novos. E voltou como o mais rápido da pista. O espanhol fez quatro ultrapassagens e se aproximava de novo da zona de pontuação.
Mais à frente, Charles Leclerc fez uma ultrapassagem antológica em George Russell. O piloto da Mercedes deixou um mínimo de espaço na perna do Esse, por fora. O monesgasco se atirou ali, botou duas rodas na terra e passou tocando rodas e pedaços de fibra, quase um jogo de corpo de futebol. A Ferrari resistiu e Charles foi embora tentando perseguir Verstappen pelo pódio.
Na perseguição de ambos, Kimi Antonelli foi para os pits também e voltou com borracha macia. Leclerc respondeu e voltou um pouco a frente. Antonelli fez uma lambança inacreditável e deu no meio da Ferrari, tirando Leclerc da corrida. Furou o pneu, passou da velocidade dos pits e tomou no total 15 segundos de punição.
O safety de novo colocou Alonso com os pneus mais velhos que a maioria. Na relargada foi superado por Bearman e deixou Stroll passar para atacar Gasly e tentar pressionar a Haas. O canadense parou no box no exato momento do safety car e levou a troca de pneus de brinde. De novo transformando um fim de semana horrível em pontuação alta, apenas por manter o carro na pista.
Todo mundo passou Gasly sem pneus, e a reta final aguardava a decisão entre as duas McLaren. Norris entrou na zona de asa móvel de Piastri, mas de repente disse no rádio: "Sinto cheiro de queimado". Uma volta depois, o motor Mercedes parou, com vazamento de óleo.
Verstappen ainda ensaiou atacar Piastri na relargada, mas pouco conseguiu fazer. Na bandeirada, McLaren à frente de Red Bull e o incrível Hadjar em terceiro. O quarto foi George Russell com sua castigada e torta Mercedes. Atrás dele, Albon numa corridaça de Williams, seguido de Bearman e Stroll. Alonso foi oitavo correndo sempre contra o vento e Tsunoda voltou aos pontos com a Red Bull; enfim. Esteban Ocon levou o pontinho final, segurando Colapinto por milésimos.
