Quando Mônaco e Indy andam de mãos dadas
O domingo passado foi cheio de emoções nos autódromos mais famosos do mundo. Mônaco viu a Fórmula 1 ter um GP brigado, disputado, cheio de alternâncias, apesar da vitória continuar nas mãos de Sebastian Vettel. Se o acidente de Sérgio Perez assustou nos treinos, os acidentes de Massa, Maldonado e Petrov deixaram todos com pulga atrás da orelha com Hamilton. Para o meu colega Alfredo Possas, o Hamilton não passa de um "inglesinho asrrogante". E Lewis provou ser arrogante mesmo. Após a corrida, criticou Maldonado e Massa chamando-os de "pilotos ridículos". E disse que os comissários só têm chamado ele para dar explicações após as provas: "Só por que sou negro", disse. Bom, se isso não é arrogância, não sei o que é. Hamilton jogou o carro para cima de Massa e para cima de Maldonado por achar que não seria punido. Tomou 20s e saiu rindo. Claro, ele tinha muita vantagem para quem estava logo atrás e sequer perdeu a posição. Tinha que ter tomado punição na largada da próxima corrida e ficar sob investigação. Falo isso porque o acho um grande piloto, muito rápido, que sabe tirar tudo o que um carro pode dar, mas que ainda não entrou no rol dos grandes pilotos. Da turma atual, só Schumacher e Alonso são do nível de um Emerson, de um Lauda, de um Villeneuve. Logo abaixo vem os outros: Barrichello, Button, Webber, Massa, Rosberg e Hamilton.
Na Indy, o fim da 500 Milhas redime seu miolo. Uma corrida morna, xoxa. Só se via a liderança das Ganassi e os outros brigando com seus próprios carros para se manterem na pista. Hélio apanhou da sua Penske. Bia Figueiredo tem um equipamento de menos qualidade e ficou entre os últimos. Vitor Meira parecia que teria uma grande prova, mas seu carro foi perdendo rendimento durante a corrida. Talvez seja uma punição para AJ Foyt, que viveu um fim de semana infernal: vendeu uma boa posição no grid por 500 mil dólares e seu carro não teve bom rendimento. Valeu só para o bolso. Quem se salvou foi Tony Kanaan, que merecia ter até vencido a corrida. Para quem não tinha carro no começo do ano, Tony está fazendo uma temporada excelente na KV.
A vitória de Dan Wheldon foi uma daquelas coisas que só vi em Mônaco em 1982, quando o improvável Ricardo Patrese venceu uma corrida que ninguém sabia quem era o líder. Nas últimas voltas da Indy 500, a sempre promessa Danica Patrick liderou até ficar sem combustível. O coadjuvante Bertrand Baguette quase venceu até precisar reabastecer. Surgiu o rookie JR Hildebrand para ganhar a corrida histórica, mas a curva 4 não deixa qualquer um vencer. Aquele muro já chapou vários pseudocampeões. Tem que ter mais do que bolhas nas mãos para vencer em Indianápolis, é preciso "currículo", como diz um tio meu. Dan Wheldon já havia conquistado dois segundos lugares seguidos na prova. Era a sua hora, tal como Patrese em 1982. É assim, Indy e Mônaco não são as maiores do mundo à toa, elas andam de mãos dadas, até quando dão vitórias improváveis.
