Pitlane

Ross Brawn, o anti-Newey, tem sacada genial e reiventa aerodinâmica móvel na Mercedes



Muito se fala que Adrian Newey é o gênio de projetos que resta na Formula 1, desde que Rory Byrne e Gordon Murray se aposentaram do circuito mundial. Mas eles esqueceram de um contemporâneo da velha guarda que ainda está por aí: Ross Brawn da Mercedes GP. Mestre em encontrar as entrelinhas do regulamento, o engenheiro inglês reinventou o duto de ar aerodinâmico, agora para a asa dianteira, conforme a revista Autosprint.

Como os entusiastas da F-1 sabem, nesta temporada foi proibido o duto de ar que fazia a asa traseira "estolar" (ficar sem pressão aerodinâmica e com menos arrasto) para aumentar a velocidade nas retas, sob comando do piloto. As regras, porém, não proibem a utilização da técnica na parte dianteira. E ninguém tinha explorada essa via!

O funcionamento é incrivelmente simples, como usualmente ocorre nos projetos geniais. Foram abertas duas canaletas de ar no bico das Mercedes para o GP do Japão. Um furo em cada lado coleta o ar que, através do desenho interno da peça, é canalizado contra o perfil da asa dianteira, pressionando a superfície e gerando o efeito anti-arrasto, para aumentar a velocidade de reta.

Outro benefício é a menor carga de pressão sobre os pneus dianteiros nos retões, aliviando um calcanhar de aquiles da Mercedes neste ano. Agora, os carros alemães podem acelerar forte nas retas conservando um pouco mais a temperatura da borracha e reduzindo o desgaste padrão desta temporada.