Pitlane

Senna e Sutton: fotógrafo lembra parceria com a lenda em Interlagos

Britânico que inovou assessoria no esporte a motor lembra suas fotos favoritas do tricampeão de Fórmula 1

Fotógrafo de Ayrton Senna, Keith Sutton
Fotógrafo de Ayrton Senna, Keith Sutton Foto : Bernardo Bercht / Especial CP

Ayrton Senna da Silva redefiniu a história e influenciou carreiras e momentos de diversas figuras da Fórmula 1 em 10 anos. Duas figuras estavam sempre lá, bem antes da estreia na categoria em 1984, aliás. Dois britânicos: o inseparável fotógrafo Keith Sutton e o interminável rival da Fórmula 3, Martin Brundle. Uma conversa com Sutton, em Interlagos para o GP de São Paulo de 2025, revela o carinho por um episódio de fora das pistas, que ele fotografou em 1994.
O trio, que se envolvera em tantas provas sob a chuva e o frio britânicos, teve um momento para lembrar as disputas em Oulton Park, Silverstone, Donington, Thruxton... Foi lá que Ayrton da Silva, que ainda não era Senna, foi apelidado de "Silvastone", dado seu domínio na principal pista da Inglaterra.
"Tenho muito forte essa lembrança, do último grande prêmio que o Ayrton disputou no Brasil, em 1994 - o primeiro GP da temporada", lembrou Sutton. "Naquele ano completavam-se 10 anos desde que ele havia chegado à Fórmula 1. E um dos pilotos que correu com ele na Fórmula 3 Inglesa em 1983, Martin Brundle, também estava lá", acrescentou.
Senna superou Brundle pelo título apenas na última prova da temporada e ambos estrearam no Mundial na temporada seguinte; Senna com a Toleman e Brundle com a Tyrrell. "Eu levei o Martin para ver o Ayrton, coloquei os dois juntos, e fiz aquela foto.
Foi um momento muito especial para mim. Imagino que o Martin também tenha sentimentos fortes sobre isso", ponderou o fotógrafo.

Senna e Brundle se reúnem pela última vez, em Interlagos, 1994 | Foto: Keith Sutton / Arquivo Pessoal / Divulgação CP

Em entrevista anos depois, Brundle comentou brevemente o encontro. "Uma década depois daquela batalha frenética em 1983, foi irônico que eu ocupei a sua vaga na McLaren, quando ele foi para a Williams. Não tenho nada além de total respeito por esse homem. Era uma personalidade complexa, mas não são assim todos os grandes campeões?", contou para o jornalista Tony Dodgins.
Os caminhos de Senna e Sutton se cruzaram na etapa de Brands Hatch da Fórmula Ford 1600, que culminaria no primeiro título do brasileiro na Europa, em 1981. Com o britânico, Senna estabeleceria um padrão que até então não existia para jovens promessas, um trabalho de assessoria de imprensa.
"Naquele dia, ele apenas mencionou que precisava de umas fotos da corrida para enviar para o Brasil. A luz estava mágica no pódio e ele gostou tanto que continuei fazendo as fotos e enviando para a imprensa a cada etapa", explicou o fotógrafo. Efetivamente, virou o assessor de Senna, mandando as imagens anexadas com breves descrições e comentários do brasileiro nas corridas até 1984.
Depois de dezenas de milhares de fotografias, que estamparam jornais e revistas de todo o mundo e agora se eternizam na Internet, Sutton guardou uma como a mais valiosa. "Foi quando ele venceu o Grande Prêmio do Brasil em 1991. Esse sempre foi o grande sonho dele e ele conseguiu. Foi uma corrida épica, algo que ele sempre quis realizar", citou. Sutton registrou o pódio, em que, no fim das suas forças, Senna levou a bandeira e ergueu o troféu, com ajuda do chefe da McLaren Ron Dennis.
Um tricampeão mundial, depois de seis temporadas de fracassos na sua terra natal, enfim no degrau mais alto e celebrando com a torcida.

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