Eddie Jordan perguntou a Willi Webber, conhecido agenciador de carreiras: "Nosso piloto foi preso! Não consegui ninguém com dinheiro para o final de semana, sabe de alguém com experiência no circuito para classificar o carro?" O alemão não teve dúvidas: "Conheço o cara perfeito, chama-se Michael Schumacher." O germânico, então com 22 anos, teria de substituir o piloto da casa, Bertrand Gachot, que se envolveu numa briga com um taxista.O pequeno segredo, de Michael e Willi, que ficou guardado em uma "reunião" numa pequena pizzaria no vilarejo de Spa é que Schumacher nunca havia pisado na cidade, quanto mais conhecer a pista. O alemão tinha no currículo duas temporadas de kart e uma de F-3. Nenhum título em fórmulas e começava a direcionar sua carreira para os esporte-protótipos. Tudo virou naquele final de semana.
No dia 23 de agosto, de 1991, a partir de um pagamento da Mercedes de US$ 150 mil, para Eddie Jordan, o maior campeão de F-1 de todos os tempos sentou no cockpit do Jordan 191 para seu primeiro treino. A equipe era pequena, tinha pouco dinheiro, mas o carro era competitivo. Sem referências ou testes anteriores, Schumacher cravou sempre marcas entre os dez primeiros. Na qualificação, um excelente 7º lugar no grid da pista mais técnica do calendário.
Naquela época, existia o treino de aquecimento, antes das corridas. O carro de Michael levava o mesmo conjunto de câmbio e embreagem que tinha sido usado na corrida anterior, para poupar custos. O alemão saiu à pista e notou que tinha algo errado no engate das marchas. "Eddie, teremos um problema aqui, não acho que vai durar a corrida inteira", teria relatado ao chefe. "Sem problemas Michael, o custo para trocar isso vai superar o prêmio do final de semana, vai ter que dar", a resposta para o "piloto-pagante".
Pois Schumacher tomou a decisão mais "balística" para aquela situação. Alinhou no grid, fez a volta de apresentação com todo o cuidado, trocando de marchas apenas duas vezes e esperou o sinal verde. A luz vermelha surgiu, piscou a verde e aquele Jordan largou como um demônio. Torrou os últimos quilômetros de embreagem que restavam em poucos metros e se atirou para a quinta posição. Na saída da Les Combes, a terceira marcha deu sua primeira patinada, caiu para sexto. Ainda trocou para quarta e quinta, mas ao engatar a sexta marcha, na subida da Eau-Rouge, o câmbio estava moído. Acabou ali, antes da metade da volta, a estreia literalmente fulgurante. Mas seria suficiente, como a história conta. (Veja o vídeo da largada abaixo)
