Pitlane

Um bom piloto, um grande personagem na história da F-1: Rubens Barrichello

Rubens Gonçalves Barrichello completará 40 anos em 2012, mantendo o Rubinho, porém, como referência principal. Isso para destacar a jovialidade e cordialidade que sempre marcaram o caráter do virtualmente inalcançável recordista de participações na F1: 322 GPs, conta que aparentemente não vai mais aumentar após a decisão da Williams em assinar com Bruno Senna. Durante quase duas décadas em que o Brasil castigou seu automobilismo e viu a base de formação de pilotos ruir, ele segurou as ponta e manteve o País na Fórmula 1, sempre com a expectativa de que pelo menos um pódio poderia ser esperado em algum momento.


Barrichello lidera Coulthard na F3 InglesaSão 34 anos de carreira desde os diversos títulos de kart da infância, "adolescência" na Fórmula Opel e na Fórmula 3 e enfim a estréia, ainda garoto, na Fórmula 1, aos 21 anos. Até aquela terceira corrida de 1993, parecia que tudo seria meteórico para ele.


Numa equipe pequena o jovem piloto circulou toda uma prova na 2ª posição, esbanjando confiança debaixo de chuva torrencial! Chegou a brigar na pista com um certo Ayrton Senna, com sua limitada Jordan. A bomba de combustível quebrou, entretanto, talvez um marco para os próximos anos difíceis. A performance, porém, exaltou a imprensa brasileira que 1 ano depois propagaria a mentira bem contada de que ele poderia ser o novo herói nacional e substituir Senna.


Para muitos virou motivo de piada, deboche. Para outros existe a imagem de piloto medíocre, fruto das comparações com imortais que surgem apenas uma vez a cada 10 anos no esporte. O meu retrato do Rubinho, no entanto, é o de um lutador passional, mas incansável. Na tal F-1 impossível de ultrapassar nos deu alguns dos lances mais memoráveis das últimas temporadas, dribles fantásticos em Ralf Schumacher, ultrapassagem dupla nos irmãos Schumacher, por fora em Kimi Raikkonen e Montoya. E ainda em 2010 numa luta fantástica com Schumacher arrancou aquele lance de parar o tempo a um centímetro do muro na Hungria para ultrapassar.


Segundo lugar com a estreante Stewart - Monaco, 1997Não, ele nunca foi o mais talentoso do grid, ou o mais rápido (o que normalmente está associado), mas sempre se recusou a seguir as limitações do seu carro, andando muito à frente de seus companheiros de equipe quando defendeu as cores de Jordan e Stewart. Por sinal, desenvolveu em três anos um carro capaz de disputar pódios regularmente com a equipe escocesa, tendo performances brilhantes como no encharcado Mônaco de 1997 e se recuperando da última colocação para a quinta, na Austrália, em 1999.


Erguido no pódio por Hakkinen e CoulthardVeio a Ferrari, em 2000, e o provável grande passo da carreira. Veio também a primeira vitória, as lágrimas incontroláveis no pódio da Alemanha, mas, apesar das outras 10 que chegaram, ficou sempre aquela sensação amarga para os torcedores de não bater de frente com Schumacher, seja por contrato, seja por escolha… Cinco temporadas foi tempo demais… Provocou um desgaste profundo… Rubinho teria forçado a aposentadoria esperando sua vez na Ferrari? Não, não está na hora…



Assinou com a Honda, com a possibilidade de expandir o contrato para 3 temporadas. 2006 foi extremamente difícil, um ano para acumular ainda mais desgastes. Teve temporadas perdidas com um carro péssimo até 2008, mas chegou 2009 e o sonho possível. O carro da Brawn era realmente tudo o que Barrichello poderia querer. O problema, é que o inglês Jenson Button encontrou a mão da barata antes. Quando Rubinho superou seu ritmo, Red Bull e McLaren já estavam à frente em performance, ficando difícil descontar os pontos, mesmo andando mais de meia temporada à frente do inglês, que seria campeão daquele ano.

A Williams quer queria se reerguer acabou sendo apenas mais algumas linhas de contrato e uma oportunidade para superar os 300 GPs. O título mundial não viria com aquele carro, que ficou ainda pior para 2011. Quando vem a pergunta de repórteres para o brasileiro, contudo, a réplica é sempre positiva, pensando na frente e projetando um sonho, que não chegou completo para Barrichello…. Por minha conta, acreditando que ele irá encontrar uma outra categoria top para vencer, acrescento: ainda…


Quatro rápidos momentos de uma carreira de muitas conquistas:


Ninguém se agüentava na pista nos treinos para o GP da França de 1999. No meio do aguaçeiro Rubinho fez a festa! E a pole, de Stewart




Na chuva, na raça, lá de trás… A primeira vitória, em 2000



San Marino, 2003. Quem disse que não dá para passar no circuito de Ímola? Um drible sensacional em Ralf para conquistar o pódio


A melhor de todas. Um show de pilotagem em Silverstone, 2003. Com direito a ultrapassar Montoya e Raikkonen por fora durante a prova