Uma corrida sem graça
O Grande Prêmio do Bahrein mostrou uma Ferrari muito forte, uma Red Bull rápida e uma McLaren um pouco mais atrás. Também não foi uma corrida como se esperava, pelo menos por parte da FIA, pois teve poucas ultrapassagens e poucos abandonos. Quem mais sofreu com problemas de equipamento foram as equipes pequenas, como a Hispania, que não conseguiu completar muitas voltas. A Virgin também teve problemas, mas pelo menos deu para se ver que Lucas Di Grassi fez uma boa largada conseguindo ultrapassar vários concorrentes e Timo Glock disputou com a Lotus durante boas voltas. A Lotus mostrou-se um pouco mais confiável, mas peca pela falta de talento de seus pilotos. Nem Trulli nem Kovalainen conseguem dar uma esperança de tempos melhores à equipe malaia.
Na ponta, o que se viu foi o talento de Fernando Alonso ao garantir o segundo lugar logo na segunda curva, ultrapassando Massa e não dando mais chance de o brasileiro se recuperar. Depois foi só sair à caça do líder, Sebastian Vettel, que surpreendentemente fez a melhor troca de pneus, com 4s cravados, melhor que os 4,5s da Ferrari, que tinha suas novas porcas que acionam mais rapidamente. Um problema nas velas do motor Renault fez com que Vettel perdesse potência na parte final da corrida, caindo para a quarta posição. Nas McLarens o que se viu foi um desempenho fraco de Jenson Button, que em nenhum momento conseguiu acompanhar o ritmo de Lewis Hamilton. Não dá para dizer (ainda) que a equipe inglesa dá vantagens ao seu protegido, é a diferença de pilotagem mesmo. Enquanto que Hamilton anda mais que o carro, Button se dá melhor quando tem um ótimo carro nas mãos. Acredito que teremos dificuldade de ver a McLaren melhorar muito de uma corrida para outra, pois nem Button nem Hamilton têm histórico de acertadores de carro. A volta de Michael Schumacher ainda não deu sinais para que veio. O piloto alemão só vai estar no mesmo nível dos demais lá pela quarta corrida. As Mercedes não são as Brawn do ano passado, é um bom carro mas vai precisar de melhorias para buscar Ferrari, Red Bull e McLaren. Nisso, pelo menos, o Sapateiro é muito bom.
O comentário final fica para os brasileiros Felipe Massa e Rubens Barrichello. Massa, que mostrou estar completamente recuperado do acidente ocorrido na Hungria em 2009, deverá ter um ano de muito trabalho para superar Alonso. Os dois pilotos da Ferrari são muito talentosos, sabem acertar o carro e são velozes. Para Massa ainda falta o algo a mais para ser campeão mundial, até sorte talvez.
Rubinho tem uma vida mais tranquila. Está na quinta ou sexta melhor equipe da temporada. Seu lugar é entre o 8º lugar e o 12º. Em Bahrein, ele chegou em 10º. Provavelmente em um circuito mais travado tenha mais chances, como Mônaco, por exemplo. Agora é esperar o próximo GP, na Austrália, no dia 28.
