Pitlane

Uma Fórmula 1 com cara de trenzinho

Foto William West / AFP / CP


Tinha grandes esperanças com o GP da Austrália de ver uma nova Fórmula 1, que apresentasse novas forças, mais equilíbrio e muito mais emoção. Mas o que deu para notar é que a categoria está pasteurizada de uma maneira que vai acabar perdendo a graça, se é que já não perdeu. Para começar os motores estão com um barulho muito estranho, apesar de eu gostar dos assobios do turbo. Não parece mais aquele motorzão que berrava tanto em Jacarepagua (sim, eu vi corrida no Rio de Janeiro em 1989) que se ouvia o som na avenida que passa longe do extinto autódromo.

A limitação de 15 mil giros e de consumo de 100 quilos de combustível, no entanto, não podem funcionar ao mesmo tempo. Se os carros andarem a 15 mil RPMs, não vão conseguir chegar até o final da prova. Talvez a exceção seja o motor Mercedes. A Red Bull foi punida porque trocou o aparelho que controla o consumo volta a volta. O aparelho oficial funciona em litros por hora e precisa ser corrigido para dar a informação correta, enquanto que a equipe austríaca usava um equipamento que dava a informação em quilos por hora. Mas isso não importa, isso apenas significa que a organização está preocupada em que não haja pane seca.

Por isso, se viu uma espécie de trenzinho durante boa parte da prova porque os carros não podem usar uma mistura mais densa de combustível para efetuar ultrapassagens, mesmo que depois precisem tirar o pé para economizar. Nem mesmo é permitido economizar no início para tentar um sprint na parte final. Os carros precisam manter um consumo constante, por isso andam em cerca de 11 mil a 12 mil giros.  A situação vai ficar complicada em circuitos rápido e que exigem o pé embaixo o tempo todo, como Spa e Monza. Parece que a ideia de se fazer uma Fórmula 1 mais "ecológica", mais "verde", pode significar o fim desse tipo de competição, já que a Fórmula E vem aí com tudo. Eu espero que não.