Viature de Course parte 2 - Um santo que não faz milagre, mas salva vidas, o santantônio

Viature de Course parte 2 - Um santo que não faz milagre, mas salva vidas, o santantônio

RF Competizione e Bastos Racing cortam, lixam, soldam, moldam e criam a gaiola de proteção do 306

Bernardo Bercht

Monobloco protegido e muito mais rígido para encarar as curvas de alta velocidade em Tarumã

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A preparação de chassis avançou um degrau importante no Peugeot 306 do projeto Viature de Course. Depois daquela limpa geral na carroceria, hora de instalar o santantônio, elemento essencial para garantir a segurança do piloto, em caso dos indesejados acidentes; além de aumentar a rigidez torcional da carroceria, o que vai possibilitar ganhos de performance na hora de virar rápido nas curvas, com resposta mais precisa às trocas de direção.

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A confecção de todo o aparato é atividade para oficinas especializadas e a RF Competizione contou com o apoio de Kiko Bastos, da Bastos Racing, para criar uma "gaiola" apropriada para o 306. Este quesito já mostrou que o idealizador do projeto, Bernardo Bercht, não facilitou em nada a vida dos preparadores. "O santantônio precisou ser feito 'especial', pois não temos outro igual para  nos inspirar", comenta Bastos. "Além disso, o projeto de um carro quatro portas é bem mais complexo que o duas portas."

Mas não tem jeito, a André Rheinlander e Kiko Bastos foram com as mãos na massa para garantir a transformação de uma pacata cabine de hatch familiar em um cockpit de competição. "Primeiro, o monobloco é colocado em cima de cavaletes e nivelado para que não entorte", detalha o fabricante de santantônios. Depois disso, a dupla teve que lixar os pontos de fixação para colocar sapata onde os tubos de ferro da gaiola de proteção serão soldados.

A partir daí, a geometria assume o comando, com várias medições, recortes e moldagens dos tubos. Claro que mais complicado pelo ineditismo do projeto. Finalmente, a parte emocionante, encher a oficina de faíscas para fixar todas as partes. "A montagem é feita peça por peça dentro do carro, com solda mig a gás", explica Bastos, antes de salientar os cuidados com a instalação. "A segurança está em uma solda bem feita, com uma penetração de material com no mínimo dois milímetros", aponta.

O entorno do piloto recebe um tratamento especial, principalmente para colisões laterais e traseiras. "É feita uma trama de  material na porta do piloto, no assoalho e, principalmente, atrás do banco. É ali que se dá resistência", especifica o mecânico, que recentemente garantiu a segurança de 20 carros de competição. "É muito incrível ver seu trabalho completar uma prova. Ganhar é um sonho - e já realizei vários -,mas  ver um piloto sair do carro ileso após um acidente não tem preço."

Depois de tudo soldado, reforçado, limpo e verificado, o Peugeot já estaria pronto para uma pancada poderosa. Mas um próximo passo será essencial para manter a resistência do projeto. No próximo capítulo, traremos o trabalho de pintura e acabamento do interior, além da instalação dos equipamentos básicos de segurança.


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