Pitlane

Zonta avalia dificuldades de acerto da Red Bull em Interlagos: “Precisa de dianteira reativa, mas muita tração”

Brasileiro que correu de 1999 a 2005 explica que pista muito técnica apresenta dilema para as equipes de Fórmula 1

Zonta foi nono lugar no GP do Brasil de 2000
Zonta foi nono lugar no GP do Brasil de 2000 Foto : Bernardo Bercht / Especial CP

Seguimos na missão de desvendar os segredos do autódromo de Interlagos com os pilotos brasileiros da Fórmula 1. Na esteira da fracassada troca de regulagem que eliminou Max Verstappen no Q1 dos treinos, neste domingo, Ricardo Zonta ensina que um acerto perfeito é muito improvável no circuito.

Ele correu nos GPs de 2000 e 2004 com BAR e Toyota e analisa as exigências bem particulares do templo do automobilismo brasileiro. "Eu estava até pensando nisso agora: é uma pista em que você precisa ter a dianteira do carro muito boa, muito reativa ao entrar na curva. E, ao mesmo tempo, ter uma tração muito forte para a subida da Junção", salienta.

Vale explicar, normalmente quando os engenheiros buscam um carro com a frente mais reativa, muita inclinação de asa dianteira e barras de torção que permitam essa resposta, a tração do carro fica comprometida.

Ao mesmo tempo, se prender a traseira no chão, para o carro sair das curvas mais rápido, a tendência é um carro que sai de frente nas freadas e não aponta como o piloto quer. "É muita técnica. É aquele negócio: quanto mais voltas o piloto dá aqui, mais ele pega o 'segredo' da pista."

Para os brasileiros, a atmosfera é um empurrão a mais, na avaliação de Zonta. "Depois que o piloto fecha a viseira, ele foca totalmente no resultado. Fora do carro você sente a torcida, vê familiares, patrocinadores, toda aquela energia. Isso mexe com a cabeça. Mas, quando fecha a viseira, é concentração total."

Zonta, que como piloto titular teve carreira curta no difícil time com Jacques Villeneuve, exalta o começo de Gabriel Bortoleto. "Ele está fazendo um ótimo trabalho. Hoje em dia os pilotos estão muito bem assessorados, têm pessoas experientes ajudando. Na minha época a gente não tinha instrutor, nem tantos recursos como simuladores. Hoje isso ajuda muito no desenvolvimento."

Mais Lidas