Uma proposta de reestruturação da Ceitec elaborada pelos funcionários por meio da Acceitec – Associação dos Colaboradores da Ceitec está sendo discutida e defendida por parlamentares e entidades da área. Segundo a Associação, já são sete partidos envolvidos que formalmente
manifestaram apoio e estão realizando mobilizações em Brasília para a retirada da Ceitec do Plano de Desestatização do Governo Federal e para a manutenção da empresa conforme sua Lei de Criação (11.759/2008), ou seja, com um centro de projetos e uma planta fabril, única na América Latina.
Dentro desta proposta, um dos pontos é a readequação da fábrica que projeta uma redução de custos de R$2,5 milhões/ano e também permitirá aumentar a sua capacidade de produção de sensores, tanto para a área da saúde como para o agronegócio. Segundo a Acceitec, um projeto de extrema importância para o Brasil é o desenvolvimento de uma plataforma para testes moleculares em um chip. Este trabalho consolidará o Brasil no cenário mundial de dispositivos conhecidos como lab-on-chip - um laboratório de análise clínica dentro de um chip, para diagnósticos onde se pode realizar o diagnóstico na farmácia ou no médico sem ter que ir a um hospital (POC - Point Of Care). Este projeto é uma parceria com o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer Renato (CTI), Fiocruz Paraná e o Instituto de Biologia Molecular do Paraná.
Nesta área já foi desenvolvido um protótipo que permite a realização de medidas de PCR em um chip 100% nacional, fabricado totalmente dentro da sala limpa da empresa. A Ceitec já recebeu os kits de teste de Covid do Instituto de Biologia Molecular do Paraná e está trabalhando na validação destes protótipos. Após esta etapa e com as readequações de alguns equipamentos, poderão ser fabricados 50 mil sensores/dia para detecção da doença. Este é um dos projetos com tecnologia nacional, fabricados localmente e que serão oferecidos ao mercado com preços competitivos.
Outro projeto em andamento na empresa é um sensor de miRNA, um teste rápido que está sendo desenvolvido como uma opção ágil e barata para a detecção de doenças como o câncer, com a possibilidade de sua descoberta nos estágios iniciais, antes do aparecimento dos sintomas ou do tumor propriamente dito. Este projeto iniciou em 2016 em uma parceria com a UFSC e se encontra em fase de testes e com uma patente em fase final de elaboração.
Ainda na área de sensores, se encontra em fase final de execução o desenvolvimento de uma plataforma (hardware e software) para sensores eletroquímicos. Tal sistema é composto por um cartão onde o chip com o sensor é conectado e toda a parte de alimentação energética e a coleta de dados pode ser feita por um notebook ou até mesmo por um aplicativo instalado no celular do usuário. Este sistema possui uma grande flexibilidade e possui o intuito de demonstrar a capacidade da Ceitec em fomentar e ajudar no desenvolvimento da cadeia de sensores no Brasil.
Entre outras iniciativas em execução na empresa está a abertura da planta fabril para a produção de produtos desenvolvidos por outras empresas, startups e centros de pesquisa do Brasil, como por exemplo, sondas neurais, dispositivos microfluídicos, guias de ondas, entre outros.
