Lelei Teixeira lança o livro "E fomos ser gauche na vida"

Lelei Teixeira lança o livro "E fomos ser gauche na vida"

Uma obra extraordinária que fala de nanismo, preconceito, diferença e inclusão

Correio do Povo

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O livro 'E fomos ser gauche na vida' (Pubblicato Editora), da jornalista Lelei Teixeira, já está no mercado livreiro. Por conta da pandemia, ainda não tem data de lançamento, mas já está na agenda da Feira Literária de Três Coroas/RS, em dois momentos: no dia 11 de dezembro, às 16h, Lelei participa do debate “O Futuro Anticapacitista”, ao lado de Lau Patrón, autora do livro 71 Leões (Belas Letras, 2018), uma história sobre afeto, dor e renascimento, e do advogado e ativista Marcos Bliacheris e no dia 13 de um bate-papo sobre o livro, também às 16h. A capa do livro traz uma foto da fotógrafa e artista visual Marianne Rotter e os desenhos internos são de Amaro Abreu, desenhista que trabalha com arte urbana.

A publicação nasceu da falta e do desejo de falar sobre nanismo, acessibilidade, inclusão e discriminação, projeto antigo da autora e da irmã Marlene Teixeira, que morreu em abril de 2015. “Queríamos refletir sobre essa condição e o preconceito que a diferença provoca a partir de experiências pessoais e profissionais diversificadas como as nossas, unindo, também, as pesquisas e os estudos que a Marlene desenvolvia sobre linguagem, discurso, trabalho, psicanálise e literatura, que muito nos amparavam. Fizemos inúmeras tentativas de começar a partir de anotações, lista de filmes e livros com personagens com nanismo, guardamos reportagens de jornais e revistas, mas o trabalho vertiginoso meu e dela não dava trégua”, conta Lelei.

Com a morte de Marlene, Lelei ficou sozinha com este desejo. Um ano depois começou a escrever no blog Isso não é comum do Sul21, o que fez até agosto de 2020. Nesses quase quatro anos, reuniu fragmentos da trajetória dela e da irmã e o livro foi tomando forma. A publicação vem também da vontade de compartilhar com pessoas conhecidas e desconhecidas o que elas viveram intensamente desde o princípio, reafirmando que a luta contra o preconceito é justa e cada vez mais necessária.

No final do que Lelei chama “de uma tentativa de livro, feito a duas mãos, mas pensado para quatro”, estão alguns textos de alunos e contemporâneos da Marlene na Unisinos/Universidade do Vale do Rio dos Sinos, onde dava aulas no Mestrado e no Doutorado. “Muito do que escrevi no livro, pensamos e articulamos juntas. Tínhamos o hábito de interferir naturalmente uma no texto da outra. Até nos artigos acadêmicos da professora eu dava palpites. Marlene me dizia: Coloca o teu olho de jornalista no que estou escrevendo”.

Marianne Rotter

Artista visual e professora, Marianne Rotter (RS/1975) desenvolve desde 2002 o projeto Meu ponto de vista – fotografias do seu cotidiano a um metro e trinta do chão. Um olhar não usual, que capta autorretratos incomuns, a partir do seu ponto de vista. Atualmente realiza doutoramento em Artes Visuais pelo Instituto de Artes/UFRGS. É professora assistente no Curso de Graduação em Artes Visuais da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul/Uergs.

Amaro Abreu

Formado em Artes Visuais, Amaro Abreu trabalha com arte urbana desde 2006. Já pintou e participou de eventos em diversos países da América do Sul e Europa, inclusive no histórico muro de Berlim. Em 2015, passou um período no México, conhecendo a região e fazendo contato com diversos artistas locais. Em 2018, esteve em uma residência no Oriente, passando pelo Egito, Líbano e Índia. Realizou oficinas, participou de palestras e levou sua arte para campos de refugiados palestinos e sírios. Promoveu a exposição individual ''Vida Paralela'', que passou pela Galeria Mario Quintana, em Porto Alegre, pelo Instituto Goethe de Salvador/Bahia e pela Jeffrey Store, no Rio de Janeiro. Publicou o livro “Habitat” (Editora Libretos, 2016) com desenhos e escritos sobre sua trajetória artística. Seu trabalho é bastante peculiar, criando paisagens em um planeta desconhecido, onde plantas e seres evoluíram em plena harmonia com a natureza.


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