Plano de Carreira

Para não perder o emprego nem o amor



Passando horas a fio no trabalho e dividindo interesses em comum: não é raro que a proximidade entre colegas resulte em um romance. Algumas empresas aceitam, outras tentam evitar. O fato é que a situação existe e, quando o amor acontece e se torna inevitável, o casal precisa tomar cuidado. Adotar uma postura profissional e saber separar as situações são fatores fundamentais para uma relação harmoniosa tanto dentro da empresa quanto fora de lá. Embora não possam proibir legalmente o namoro entre funcionários, as organizações têm regras de condutas a serem seguidas.

A diretora pedagógica da ABRH-RS Katherine Minella diz que na maioria das organizações as regras quanto aos relacionamentos afetivos não são oficializadas, mas existem e podem aparecer como cultura interna. "As empresas que possuem regras de conduta referentes aos relacionamentos afetivos entre colegas, aparentemente transitam bem em relação a esta notícia. Importante relembrar o casal sobre estas normas de relacionamento interno. Para as empresas que não transitam bem neste assunto, seria o momento para repensar as suas práticas", afirma.

"Cabe às empresas reverem os seus valores. Afetividade e trabalho, muitas vezes, não são uma combinação fácil de lidar pelas organizações e algumas, por dificuldade, acabam proibindo. Existem famílias que se formam dentro das organizações e que os filhos acabam trabalhando na empresa também. Vai muito da política da empresa", ressalta ela.

A CLT não proíbe o relacionamento amoroso entre pessoas da mesma empresa, mas os exageros como beijos e carícias mais íntimas podem ser enquadrados como prejudiciais à companhia e essas atitudes podem ser punidas, inclusive com demissão.

Para o casal, a regra número um é agir com profissionalismo. "Evitando manifestações afetivas no ambiente de trabalho, deveriam se tratar como colegas", diz a consultora. Foi assim que agiram Fábio e Silva Carneiro, 31 anos, e Janice de Souza Carneiro, 41 anos, quando começaram a namorar. O relacionamento, como na maioria dos casos, surgiu a partir da convivência diária. Os dois trabalhavam na mesma sala, no Setor de Licitações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), na Capital. "Fomos nos identificando em muitas coisas. Um dia, eu queria ir num show e convidei os colegas. O Fábio foi comigo e costumo dizer que desde aquele dia a gente não se largou mais", conta Janice.

Em princípio, o casal não contou para os colegas e agiam com discrição. Eles só revelaram meses depois, quando já trabalhavam em ambientes separados. "Tem que haver postura. E nós sempre fomos discretos, pois aqui é o nosso local de trabalho", diz Fábio. No final de 2009, o casal foi morar junto oficialmente e no começo de 2011 se casaram. Atualmente, Janice está de licença-maternidade, após dar à luz o pequeno Ricardo, de 3 meses. Os padrinhos do menino também trabalham na CEEE.

Fábio e Janice admitem que não conseguem evitar e acabam falando sobre trabalho em casa. "Contamos como foi o nosso dia um para o outro", diz ele. A consultora Katherine Minella afirma que esse é um desafio a ser atingido pelos casais, para que não levem em excesso assuntos profissionais para a vida familiar.

Outra dica é que os dois tenham certeza até que assumam a relação. "Um tempo de amadurecimento é importante. Muitos casais passam um tempo sem abrir a relação para os colegas pois mesmo sendo um relacionamento sólido, não sentem necessidade disso. Se a empresa não tem restrições sobre relacionamentos afetivos entre funcionários, a decisão de contar é mais tranquila, mas deve vir quando a relação está concreta. Porém, se a empresa mostra restrições, o casal deve considerá-las e se preparar caso queiram anunciar a união", recomenda a consultora.

Dicas para equilibrar amor e trabalho:
- Escolha o momento certo para contar ao seu chefe e colegas;
- Trate o seu parceiro como trata um colega (evite apelidos, intimidades);
- Seja profissional e ético;
- Evite procurar o seu par excessivamente no setor ou ligar para ele para assuntos que não sejam profissionais, não troque e-mails pessoais;
- Evite "tomar as dores" do parceiro frente a discussões;
- Se um dos parceiros é o chefe, mantenha o mesmo tratamento que tem com os demais membros da equipe em relação às cobranças diárias. Se for subordinado, mantenha a produtividade, cumpra os horários.

Fonte: Katherine M Minella - Psicóloga, consultora em RH, diretora pedagógica da ABRH RS