Procuram-se talentos
Caça-talentos sempre existiram, em diferentes áreas do mercado de trabalho. A eles cabe a tarefa de encontrar profissionais adequados ao perfil das corporações, que façam a diferença nas equipes. Mas a atuação dos chamados headhunters se amplia na medida em que a cultura de formação dos negócios vem mudando. É o que acredita a sócia da consultoria Nery&Beretta, Lígia Nery da Silveira: "Em um mundo sem fronteiras para os negócios, nada mais natural que a prospecção de talentos aconteça neste mesmo formato. Os tempos e movimentos que levam ao sucesso nos desafiam a buscar a pessoa certa onde quer que ela esteja no menor tempo possível", afirma ela.
O que é o headhunter?
É o chamado caçador de cabeças, em referência ao caçador de talentos. Trata- se de um profissional experiente na vida e no mundo do trabalho que apoia empresas na formatação de equipes de valor. Sabe- se que o diferencial competitivo de uma empresa esta na soma do diferencial de seus times. Por isso, ter os melhores dentro de cada contexto já não é uma escolha para se ter um bom resultado.
- Como surgiu essa atividade?
Essa atividade surgiu quando as empresas se deram conta da importância de ter pessoas especializadas para fazer esta busca de forma profissional. Em muitas situações, além da necessidade de a empresa estar focada, pensando no produto, negocio e mercado, elas também precisam mapear e assediar profissionais dentro de um espectro mais competitivo. Para isso existem profissionais especializados, que realizam esse trabalho o tempo todo e conhecem, com suas extensas redes, os profissionais mais interessantes.
- Ela está ganhando espaço no mercado?
Já há muito tempo estes profissionais estão contribuindo com as empresas, no Brasil e no mundo todo. Não é uma novidade em nosso mercado. O que traz sim uma nova visão são os headhunters com conexões mais extensas, plugados no mundo, no que esta acontecendo em todos os continentes, trabalhando realmente em rede. Universos de busca muito locais se tornam infrutíferos e ineficientes hoje em dia. Um exemplo: fomos contratados por uma empresa italiana para buscar seu primeiro executivo no Brasil para iniciar a operação por São Paulo. Encontramos um Curitibano morando em São Luis, Maranhão, que sonhava em estar no Sudeste. Este é o formato e o trabalho que podemos realizar para apoiar as empresas em seus desafios.
- Quais os benefícios para as empresas contratarem um headhunter?
Elas ficam liberadas para cuidar de seus negócios enquanto estes parceiros ficam atentos aos talentos capazes de agregar valor com equipes capacitadas. Ter o valor profissional adequado abrevia caminhos, encurta distancias e oxigena estruturas.
Por exemplo, acabamos de fechar uma posição para uma das maiores operadoras no mundo de outsourcing em retail no mundo que precisava iniciar uma operação mais agressiva no Brasil. Nada melhor do que ter este parceiro para apoiá-los neste processo. E assim aconteceu.
- Ele pode ser um profissional que faz parte do quadro da empresa? Ou é feito por meio de consultoria?
A consultoria externa é interessante porque está liberada para mapear todo mercado, inclusive a concorrência, o que às vezes fica complicado para uma empresa por uma série de fatores. Hoje, cada vez mais empresas investem com força em estruturas chamadas de Talent Aquisition, justamente para dar a importância desta atividade tão nobre de busca de talentos. Tivemos um desafio para um cliente que obrigatoriamente precisava de um diretor que estaria provavelmente numa concorrência direta. Seria muito difícil, para não dizer impossível, realizarem isso diretamente ou sozinhos sem gerar traumas ou problemas adicionais. Nosso trabalho ajuda a ampliar estes horizontes, até com saídas não pensadas antes.
- Qual o perfil de profissional que o caça-talentos procura?
O que ele busca é o que for adequado para cada empresa, é um trabalho altamente customizado. Este é o diferencial. Na verdade, faço a analogia de sermos a ponte que oportuniza o encontro adequado. Clientes são as organizações e também os profissionais que se colocam à disposição do mercado.
- Como funciona o processo de seleção?
O processo inicia quando as empresas sinalizam suas demandas, a partir daí podemos acionar uma rede inteligente de informação para localizar no mercado o profissional mais adequado para cada necessidade, procurando trazer com isso a reflexão e adequação às estratégias. Quanto mais próximos estivermos das estratégias e intenções das empresas, mais assertivos conseguimos ser na entrega de nosso trabalho. Isso se chama parceria.
- Pela tua experiência na área, sobram vagas e falta mão de obra qualificada?
Depende do ponto de vista, estas duas observações são verdadeiras. Sempre que conversamos com os profissionais de RH, executivos ou CEOs, a queixa parece ser esta, onde estão os talentos? Podemos dizer que sim, os grandes talentos estão sempre produzindo bem em algum lugar, então vamos encontrá-los de alguma forma. Por outro lado, devo confessar que em muitos casos as empresas também ficam presas a modelos e ousam pouco. Hoje, aquela empresa que souber trabalhar com a diversidade, tiver coragem para se reinventar no processo de contratação de profissionais não tão óbvios, certamente sairá na frente de uma realidade que já está posta no horizonte.
- Faltando mão de obra qualificada, como fica o trabalho do headhunter?
O mundo do trabalho tem tudo para ser reinventado, ser revisitado com outros olhares. Portanto, nosso mercado não tem fim. A experiência que se adquire acessando tantos universos, empresas, segmentos e situações históricas nos faz ter a certeza de que sempre haverá espaço para parceiros criativos e especialistas realmente dispostos a agregar valor. Todas as crises geram oportunidades na outra ponta e na mesma proporção.
Agora mesmo voltamos de uma convenção mundial de headhunters em Barcelona, (ENEX Global Partners) na qual fomos convidadas a representar o Brasil, e ouvimos duras realidades compartilhadas pelos parceiros da Europa. Mas, este grupo, com 30 anos de existência, já viveu todo tipo de cenário e não é por nada que buscam agora também o Brasil como representante. Temos muito a fazer juntos, sem fronteiras. Estamos com parcerias ativas no mundo todo, totalmente conectados para poder criar alternativas, tanto para empresas como para profissionais com uma cabeça global.
- O que é preciso para ser um headhunter?
É preciso muita empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro (empresa e profissional), experiência e postura para ajudar nossos clientes de forma ética e profissional. Não existe milagre, nem super homem/mulher. Existem profissionais muito bons, pessoas com vontade de fazer a diferença e existem empresas sedentas de pessoas com esta vontade.

