Saber se relacionar
Não é só o conhecimento adquirido que diferencia um colaborador em meio a uma empresa. Entre as habilidades que o profissional deve apresentar, saber se relacionar é um diferencial. Por isso, cada vez mais pessoas têm buscado cursos e treinamentos que trabalhem o desenvolvimento da chamada inteligência emocional. "Saber tomar decisões sob pressão e administrar os sentimentos nos momentos de tensão podem fazer toda a diferença num mercado competitivo. Hoje não basta ter apenas qualidade técnica. É preciso saber se relacionar melhor", afirma Michelle Pajak, psicóloga especialista em avaliação e head trainer (treinadora da mente) do Instituto Nacional de Excelência Humana (INEXH).
CP - O que é inteligência emocional?
Michelle - Até pouco tempo atrás, as empresas buscavam profissionais que possuíam o QI elevado. Elas eram avaliadas por seu Quoeficiente de Inteligência (QI), que engloba raciocínio lógico, habilidades matemáticas, orientação espacial. Atualmente, as empresas buscam profissionais com o Quoeficiente Emocional elevado, o que também chamamos de inteligência emocional, que é a capacidade que o indivíduo tem em lidar com suas emoções em diversos momentos do seu dia a dia, é o que possibilita a capacidade de liderar equipes, de se relacionar de uma forma mais harmoniosa com outras pessoas, seja na vida profissional, na vida familiar, social.
CP - No mercado de trabalho, ela é um diferencial?
Michelle - O psicólogo e PhD Daniel Goleman disserta sobre isto em seu livro "Inteligência Emocional", pontuando que no trabalho a maioria das situações são envolvidas pelo relacionamento entre pessoas. Dessa forma, pessoas com habilidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão e gentileza têm mais chances de obter o sucesso. Goleman mapeia a Inteligência Emocional em cinco áreas de habilidades: Autoconhecimento Emocional (reconhecer um sentimento enquanto ele ocorre), Controle Emocional (habilidade de lidar com seus próprios sentimentos, adequando-os para as situações), Automotivação (dirigir emoções a serviço de um objetivo), Reconhecimento de emoções em outras pessoas e Habilidade em relacionamentos.
CP - Em um mercado competitivo e exigente, como controlar as emoções?
Michelle - Isso é possível através de autoconhecimento (terapias, cursos e treinamentos). As dinâmicas, processo vivencial que simulam situações do cotidiano, são excelentes para detectarmos estes padrões de comportamentos e os cursos e treinamentos comumente oferecem boas formas de aprimorá-los. A Programação Neurolinguística nos dá algumas técnicas que nos auxiliam a controlar nossas emoções, por exemplo, no que diz respeito à mudança de estado interno, perceber um comportamento impulsivo e mudá-lo através do que chamamos de "gatilho", que é, na verdade, o que dispara o comportamento de "descontrole".
CP - Como as empresas estimulam a inteligência emocional dos colaboradores?
Michelle - Depende de cada pessoa querer e se permitir mudar esses comportamentos, que na maioria das vezes são indesejados ou simplesmente comportamentos que não auxiliam na busca de nossos objetivos. Para isso, a PNL tem excelentes recursos, porém, é necessário a busca do indivíduo nesta melhoria, através de autoconhecimento, uma vez que é necessária a detecção dos mesmos e o aprimoramento destes hábitos não tão positivos. As empresas, quando detectam estes perfis comportamentais, também podem auxiliar nesta melhoria, de certa forma, já o fazem em parte, investindo em cursos e treinamentos para os seus colaboradores, normalmente grandes empresas e/ou empresas com alto potencial de crescimento, pois elas identificam a necessidade de seus profissionais em aperfeiçoamento pessoal e os auxiliam a se relacionarem melhor com as pessoas ou simplesmente consigo mesmo.
CP - Como os profissionais que exercem cargos de chefia administram as emoções?
Michelle - Essas pessoas normalmente tomam muitas decisões no dia a dia. É fato que decisões tomadas sob emoção nem sempre são as mais acertadas, Para isso, existem treinamentos específicos que trabalham com muito foco o controle emocional, treinamentos de um final de semana, que possuem dinâmicas com base em diversas linhas da psicologia, "amarradas" com PNL (Programação Neurolinguística), proporcionando, em um curto espaço de tempo, autoconhecimento e consequentemente maior controle emocional. Por meio dessas técnicas, percebe-se o quanto é possível o desenvolvimento da inteligência emocional. Mude seus comportamentos e você mudará seus resultados.

