O dia 1º de março de 2026, este domingo, marca os 12 anos da volta do Caderno de Sábado ao convívio dos leitores gaúchos e brasileiros. A publicação que foi referência nacional em suplementos culturais e literários dos anos 1960 e 70 teve 676 edições de 30 de setembro de 1967 e 10 de janeiro de 1981. Desde a sua volta em 1º de março de 2014, o CS já teve 624 edições. A volta em 2014 foi comemorada por todos desde a redação do Correio do Povo até a comunidade cultural, escritores, atores, cineastas, diretores, poetas, críticos de arte, artistas plásticos, fotógrafos, músicos, acadêmicos, professores. A primeira matéria especial do número 1 da volta do Caderno foi com aqueles que fizeram a sua história. Nos anos 1960 e 70, os primeiros editores Paulo Fontoura Gastal e Oswaldo Goidanich e depois Antonio Hohlfeldt e Ney Gastal concediam grande espaço para artigos, ensaios, entrevistas em publicações de 12 a 16 páginas. O suplemento em sua volta teve oito páginas, com destaque a duas obras do artista bageense Glênio Bianchetti na capa, com depoimentos dos próprios Antonio Hohlfeldt e Ney Gastal, além de Sergio Faraco, Armindo Trevisan, Sergius Gonzaga, Affonso Romano de Sant’Anna, Tailor Diniz, Walter Galvani, Cida Golin e do pesquisador Everton Cardoso, que tinha trabalhos acadêmicos sobre o CS.
O depoimento de Ney Gastal dava conta do começo do Caderno em 1967. “O Caderno de Sábado teve uma gestação de mais de um ano. Não teve data de concepção muito definida. Era uma ideia que Oswaldo Goidanich e Paulo Fontoura Gastal ( "Goida" e "Gastal"), que tomaram coragem para lançar, em 1966, num jantar do Festival de Coros. Decididos, saíram da Churrasquita para a redação do Correio do Povo. Lá, entraram no gabinete do Dr. Breno Caldas e propuseram que o jornal transformasse a página literária em um caderno literário. É fácil imaginar o entusiasmo de ambos e o desinteresse do diretor, que respondeu com um simples ‘boa ideia, vou pensar, depois falo com vocês’. Por muito tempo não voltou ao assunto”, contou Ney em 2014. Segundo ele, em setembro de 67, os dois encontraram o Dr. Breno no corredor de acesso à redação e o diretor avisou: ‘Lembram do suplemento? Começa a sair neste sábado. “Era uma terça e eles não tinham nada. Foram três dias trepidantes. Goida criou o planejamento gráfico e Gastal foi em busca de artigos ‘de gaveta’ da página literária. Eles conversavam sobre orientação editorial e resolveram mudar o nome de "Literário", pois já havia muitos, para "de Sábado". Em 30 de setembro de 1967, o 1º número chegou às bancas”.
Desde que voltou em 2014, o Caderno de Sábado abordou centenas de temas, como literatura negra e indígena, o atentado à revista Charlie Hebdo na França, a importância da tradução literária, além de dossiês sobre Mario Quintana, Erico Verissimo, Antonio Cândido, Michel Houellebecq e entrevistas com grandes nomes da literatura como Ferreira Gullar, Beatriz Sarlo, Edgar Morin, Elizabeth Roudinesco, David Grossman, Ruy Castro, Javier Cercas, Rosa Montero, além de músicos e cineastas como Joan Baez, David Trueba e artistas visuais como Danúbio Gonçalves e Sebastião Salgado (fotografia) e nomes do teatro como Sábato Magaldi, Edna Van Steen e Zé Celso.
Seguimos para mais um ano em busca de temas atuais e garimpos de textos de grandes colaboradores da história de 131 anos do Correio do Povo para que o CS continue sendo “A Enciclopédia Cultural de Formação de Leitores”, título da matéria sobre a volta em 2014.