Um diplomata. Um ministro plenipotenciário. Um filho da nobreza espanhola. Um orador que sabia modular a voz tal qual um ator consumado: bem impostada e de timbre agradável.
Segundo Erico Veríssimo, assim era Manoelito de Ornellas. Para o autor de “O Tempo e o Vento”, tratava-se de uma personalidade dotada de senso de honra e lealdade. O excerto está no tomo I de “Solo de Clarineta”, livro de memórias do maior romancista gaúcho.
O primeiro encontro dos futuros amigos foi em Cruz Alta, no inverno de 1928. Além do amor pela leitura e escrita, eles tinham algo a mais em comum: eram boticários de farmácias. Erico em sua terra natal; Manoelito em Tupanciretã.
Livre dos compromissos farmacêuticos, o jornalista estabeleceu-se em Porto Alegre, onde seria diretor da Biblioteca Pública do Estado e presidente da Associação Riograndense de Imprensa. Em 1948, lançou “Gaúchos e Beduínos: a origem étnica e a formação social do Rio Grande do Sul”, em que defendia a hipótese de a identidade gaúcha ter origens árabes, fruto da influência moura na Península Ibérica.
Intelectual da cultura regionalista, foi em Itaqui, na fronteira com a Argentina, o seu primeiro contato com a literatura e a vida do homem do campo, experiências fundadoras da construção de uma nobre personalidade.