Caderno de Sábado

Nossa vida no Planeta Azul

Escritor Alcy Cheuiche analisa obra dos seus alunos e alunas de oficina literária: “Terra – Nós Só Temos Um Planeta Para Viver” *

Alcy Cheuiche: "Mesmo sabendo muito bem disso, cometemos desatinos com a pouca água potável que existe no Planeta Terra. Destruímos as nascentes, poluímos a água de todas as formas possíveis, inclusive com pesticidas agrícolas mal aplicados, a desperdiçamos com torneiras abertas em demasia... "
Alcy Cheuiche: "Mesmo sabendo muito bem disso, cometemos desatinos com a pouca água potável que existe no Planeta Terra. Destruímos as nascentes, poluímos a água de todas as formas possíveis, inclusive com pesticidas agrícolas mal aplicados, a desperdiçamos com torneiras abertas em demasia... " Foto : NOAA/NESDIS/STAR / CP MEMÓRIA

Yuri Gagarin, se fosse vivo, teria hoje noventa e um anos de idade. E estaria escandalizado com as destruições feitas em nosso planeta, desde que o viu do espaço, em 1961, exclamando, emocionado:

- A Terra é azul!

Essa cor azul, além de sua beleza, é o segredo da nossa possibilidade de viver na superfície da Terra, o que seria impossível em todos os demais planetas do Sistema Solar. É a visão da nossa atmosfera, cinturão protetor que se renova com as trocas físico-químicas, e que deu origem à vida orgânica dependente da água. Uma atmosfera que não ultrapassa sete quilômetros de espessura nos polos e pouco mais do dobro nas áreas equatoriais, como aprendemos em alguns contos da coletânea: “Terra – Nós Só Temos Um Planeta Para Viver” *.

O corpo humano é um complexo celular de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, organizado em meio líquido. Podemos resistir à fome por mais de cem dias, mas sucumbimos à sede em meia dúzia deles. Cerca de oitenta por cento do nosso corpo é composto de água, o mesmo líquido que se funde das nuvens, irriga o solo e retorna ao céu pela evaporação.

Mesmo sabendo muito bem disso, cometemos desatinos com a pouca água potável que existe no Planeta Terra. Destruímos as nascentes, poluímos a água de todas as formas possíveis, inclusive com pesticidas agrícolas mal aplicados, a desperdiçamos com torneiras abertas em demasia, no consumo absurdo em alguns tipos de plantações, no reflorestamento com eucaliptos e, principalmente, na indústria da moda, como muito bem narrado em alguns contos do livro que estou recomendando aos leitores do Caderno de Sábado.

Parece que a água se vinga de nós e, cada vez com mais frequência, como aconteceu no Rio Grande do Sul em 2024. Naquele terrível mês de maio, a enchente causou muitas mortes de seres humanos, desabrigo dos mais necessitados e destruições de estradas, pontes, lavouras e criações de animais. Sobre essa catástrofe, causada principalmente pelo aquecimento global, obra da incúria humana, entre tantas obras publicadas, recomendo outra coletânea de contos de meus alunos escritores: “A Grande Enchente de 2024”, iniciativa da Associação do Pessoal da Caixa Econômica do Rio Grande do Sul (Apcef/RS).

Quanto mais o tempo passa, mais acredito nos provérbios populares. Baseado em um deles: Faça o que eu digo, mas não faça que eu faço, consideramos que a importância das atitudes ecológicas individuais é tão grande, ou maior, do que o posicionamento coletivo. Sabemos de pessoas com belos discursos sobre a defesa do meio ambiente, que nunca tomaram conhecimento da importância de separar o lixo orgânico dos demais resíduos recicláveis, em suas próprias casas.

Assim sendo, “Terra – Nós Só Temos Um Planeta Para Viver”, obra das minhas alunas e alunos escritores: Ana Helena Rilho, Angélica Brock, Célia Zingler, Irineu Roque Zolin, Iyà Sandrali Bueno, Neusa Tolfo, Paulo Belotto, Sérgio Luiz Simioni Júnior e Tania Mendonça está destinada a alertar as pessoas de bom senso a aceitarem em definitivo que as viagens interplanetárias em busca de outra Terra Prometida são ilusórias e que devemos cuidar muito bem deste Planeta Terra, desta morada azul, que é a única que temos para viver.

Aliás, o que disse o saudoso José Lutzenberger, do qual ainda ontem contemplei o lindo painel na Avenida Borges de Medeiros, obra do artista porto-alegrense Kelvin Koubik. No longínquo discurso inaugural da Agapan (que se mantém firme e forte), na noite de 7 de abril de 1971, entre tantas verdades, ele afirmou:

Efetivamente, somos todos astronautas. Habitamos uma pequena nave espacial, perdidos na imensidão do espaço azul, hostil à vida. Se uma joia tem valor pela raridade, então, este nosso Planeta tem um valor incomensurável. Porque sabemos que, como ele, em nosso Sistema Solar não há outro. Se houver algo parecido no Universo, só a distâncias siderais, totalmente fora de nosso alcance.

Temos certeza que a leitura do livro dos meus alunos escritores será extremamente positiva para valorizar eventos como a COP 30, que acaba de ser realizada em Belém do Pará, a luta pela preservação da Floresta Amazônica, da Caatinga, do Cerrado, da Mata Atlântica, do Bioma Pampa e de outras reservas naturais que ainda sobrevivem no Brasil.

A leitura de obras como esta despertam nossa consciência à possibilidade, não só de esperarmos atitudes ecológicas de entidades privadas ou governamentais, mas de agirmos cada vez mais individualmente. Exemplos: privilegiar as energias eólica e solar em nossas próprias casas. E, principalmente, proteger os recursos naturais, em pátios, praças e ruas, que sobrevivem próximos de nós.

* Editora do Pampa, obra lançada na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, 2025