De repente, com passos silenciosos,
os amigos foram embora.
A última vez em que os vi, estavam pálidos,
cobertos de flores, com as mãos frias,
como as manhãs de inverno.
Ganhei estrada e retornei.
Quem sabe nessa longa viagem
eles se detiveram numa parada,
pouso ou mirante. Qual nada!
Após um já tão longo viver,
nos tornamos órfãos na terceira idade.
Quando pensamos em nossos ausentes,
são eles que nos visitam.
Na juventude, a saudade é o salto de um peixe
nas águas mansas de um cair da tarde.
Com o tempo, ela se torna
um hóspede de largas malas.
Morrer acontece quando, por última vez,
o teu nome for pronunciado.
Perdidos na névoa da distância,
os ausentes nos abanam.
E retribuímos o gesto secando o rosto
e alisando os cabelos desalinhados pelo vento.