Caderno de Sábado

Pela liberdade da palavra

Escritor e coordenador da Oficina Literária comemorativa dos 90 anos da ARI, Alcy Cheuiche, trata de “A Liberdade da Palavra”, que será lançado no dia 12 de novembro, na Feira do Livro

Erico Verissimo foi o primeiro presidente da Associação Riograndende de Imprensa em 1935
Erico Verissimo foi o primeiro presidente da Associação Riograndende de Imprensa em 1935 Foto : Acervo Literário Erico Verissimo / Divulgação / CP

“A imprensa é um exército

de 26 soldados de chumbo com o qual se pode

conquistar o mundo”.

Com essa frase histórica de Johannes Gutenberg, iniciei a apresentação do livro “Nos Caminhos da Imprensa Rio-Grandense e Brasileira”, obra bilíngue português/espanhol, lançada na Feira do Livro de Porto Alegre, em novembro de 2015. Iniciativa do SindBancários, sob a presidência de Everton Gimenis, foi redigida em forma de contos por trinta escritoras e escritores por mim orientados. Entre seus apresentadores, o jornalista Batista Filho, então presidente da ARI, deixou cunhadas as seguintes palavras:

Neste livro, nossa ARI (Associação Riograndense de Imprensa) conta parte dos seus 80 anos de História, voltada em todos os momentos ao culto da Liberdade de Expressão e do Estado Democrático de Direito.

Dez anos depois, o livro denominado “A Liberdade da Palavra”*, comemorativo dos 90 anos da ARI, fundada em 1935, está sendo lançado na edição que assinala os 70 anos da Feira do Livro de Porto Alegre, fundada em 1955. E, não por acaso, por inspiração e transpiração do jornalista Say Marques, também vereador.

Outro aspecto que desejo destacar é que o jornalista José Nunes, atual presidente da ARI, está entre os autores do livro de 2015, tendo deixado suas impressões digitais em alguns contos inesquecíveis, como Luigi Rossetti – O Jornalista Farroupilha. E foi ele quem me propôs orientar uma Oficina Literária que, depois de um ano de trabalho, está entregando aos leitores de língua portuguesa, a obra comemorativa dos 90 anos da ARI.

Inspirados nos principais fatos acontecidos de 1935 a 2025, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, no Brasil e no Mundo, este grupo dos onze escritores e escritoras, honrando uma entidade que teve Erico Verissimo como primeiro presidente, deu o melhor de seu talento na elaboração de contos e crônicas que iluminam esse período de quase um século de cobertura jornalística.

Pela palavra escrita de Aniuska Van Helden, Caren Mello, Eloi Wilges, Irineu Roque Zolin, Jorge Alfredo Barcellos, José Nunes, Leonardo Stefani, Lúcia Monmany, Nilton Araújo, Nubia Silveira e Paulo Franquilin, ganham vida homens e mulheres que marcaram a ARI e a transformaram no baluarte democrático que hoje é. Jornalistas capitaneados por verdadeiros líderes como seus presidentes: Erico Verissimo, Dario Rodrigues, Manoelito de Ornellas, Nestor Ericksen, Arlindo Pasqualini, Arquimedes Fortini, Adail Borges Fortes da Silva, Cícero Soares, Alberto André, Antônio Gonzales, Ercy Pereira Torma, João Batista Mello Filho, Luiz Adolfo Lino de Souza, José Maria Rodrigues Nunes.

Uma entidade que também cresceu pelo talento das mulheres gaúchas, representadas, em 1935, na sua fundação, por Almira Flores Cabral, Ceci Albuquerque e Maria Porto de Oliveira. Hoje, com milhares de jornalistas, entre as quais Cláudia Coutinho, atual Vice-presidente da ARI, e Jurema Josefa, que exerce o mesmo cargo no Conselho Deliberativo.

Durante doze meses, cada encontro, a maioria deles on-line, mas alguns presenciais na histórica sede da ARI, subindo alguns degraus do lado oeste do Viaduto Otávio Rocha, foram marcados por duas horas de leitura e debates sobre os contos e crônicas escritos naquela semana. Com temas que se alternavam entre fatos ocorridos no passado e acontecendo no presente. Por essa razão, este livro não tem ordem cronológica, pois Chronos, o velho deus grego responsável pelo tempo, deu sempre passagem, de forma cavalheiresca, às musas da prosa e da poesia.

Muito ainda tenho a vos contar, mas o livro já está na Feira, e posso colocar aqui o ponto final. Porém, entre ele e a primeira letra maiúscula, como nos ensinou Pablo Neruda, espero ter traçado um esboço digno sobre a razão de existir de “A Liberdade da Palavra”, obra de arte das minhas alunas e alunos escritores.

* Lançamento na Sala dos Jacarandás, do Clube do Comércio, na quarta, 12/11, às 15h30min. Sessão de autógrafos coletiva dos onze autores às 18h.