Está sendo feita uma obra que se chamará “Zilá Bernd, pioneirismo nos estudos de Literatura Negra no Brasil”. Afinal, a crítica literária de Porto Alegre publicou 11 livros individuais sobre o tema e quem sabe mais de cem artigos acadêmicos nas revistas mais importantes das maiores universidades do Brasil, do Quebec, da França e das Antilhas. A intelectual tem mais de 50 anos dedicados aos estudos de literatura e escreve em português e francês, inclusive publicou dois livros individuais na língua de Frantz Fanon: “Américanité et mobilités transculturales”, no Quebec pela Les Presses de l’Université Laval, em 2009, e “La Persistance de la mémoire” pela Société des Écrivains, na França, em 2018.
Zilá Bernd recebeu a classificação da Ordem Nacional do Québec, nos graus de Chevalière e Officière (2014), e as Palmes Académiques do governo francês, no graus de Chevalière et Officière (2006). Em 2009, foi honrada com le Prix International du Gouverneur Général du Canada en études canadiennes. Em 2019, mereceu o Prêmio Pesquisador Gaúcho da Fapergs, na área de Letras e Linguística.
Como estranhamente alguns dizem que desejam terminar os estudos, mas se referem apenas à conclusão do ensino médio, Zilá Bernd fez todo o estudo formal dentro da área da Literatura, porque se licenciou em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Ufrgs (1967), é mestre em Letras pela mesma Universidade (1977) e doutora em Letras (Língua e Literatura Francesa) pela Universidade de São Paulo (1987). Realizou seu pós-doutorado na Université de Montréal (Canadá) em 1990 e fez um estágio sênior na Université Rennes 2 (Haute Bretagne) e no Institut des Amériques de Paris, com bolsa Capes, em 2017. Sempre humilde em todas as ocasiões, apesar do enorme currículo, Zilá Bernd diz que nunca terminará seus estudos, porque um intelectual está constantemente buscando a novas leituras e teorias para esclarecer melhor os seus tópicos de análise.
Outro fato sobre ela: Zilá Bernd é professora titular aposentada da Ufrgs, pesquisadora 1 A do CNPq e membro da Academia Rio-Grandense de Letras, entidade na qual ingressou em 2025.
A pesquisadora do Sul escreveu sobre o negro, claro, mas sob a ótica do racismo e antirracismo, consciência e trabalho, sobre “os vestígios memoriais”, “o inventário de ausências”, “negritude, identidade, literatura, memória e identidades plurais”. Esses assuntos foram tirados do título das suas publicações. Inclusive a obra que está sendo escrita sobre a produção da intelectual do Sul desenvolve um capítulo acerca de cada uma das publicações da autora. Mas os temas relevantes do seu trabalho são identidade e memória, mito, imaginários coletivos, mobilidades culturais, estudos culturais e relações interamericanas.
Sua obra “Literatura, memória e identidades plurais”, lançada em 2024, abrange uma coletânea de seus artigos de imprensa entre 1975 e 2023. Ao todo, são 51 textos, sendo 29 no Correio do Povo. No seu site, há 46 livros com o seu nome na capa, sendo 11 individuais e 35 organizados por ela, escritos em francês ou português, sempre com artigos acadêmicos de Zilá Bernd em cada uma dessas edições.
Embora seja uma crítica de literatura e escreva preferencialmente sobre a negritude, Zilá Bernd desenvolve um aspecto da Filosofia, que é a busca do conceito para, por intermédio dele, argumentar sobre os propósitos das investigações. Deleuze e Guattari garantem que essa é a maneira de trabalhar da Filosofia. Por esse motivo, lendo a obra de Zilá Bernd, às vezes o leitor pode ter a impressão de que ela vai além da crítica literária com abrangente fundamentação teórica, Zilá Bernd anda pelo campo da Filosofia da Literatura.
Há professores que marcam a vida de um estudante, e Zilá Bernd deve ter sido fundamental para a formação de centenas de mestres e doutores em Literatura ao longo das décadas de trabalho no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E faz alguns anos que atua nos Mestrados e Doutorados da Universidade La Salle em Canoas.
Hoje em dia, trabalha no projeto “Inventário de ausências: memória e temporalidades em literaturas contemporâneas das Américas”, se bem que já publicou “Inventário de Ausências” em 2022, livro que deve integrar ou até ser a conclusão dessa iniciativa. Mas, quanto aos projetos concluídos, são 11, entre os quais se encontra um Dicionário de Expressões da Memória Social, dos Bens Culturais e da Cibercultura, Glossaire de Mobilités Culturelles, Antologia da Poesia Afro-Brasileira, Dicionário de Figuras e Mitos Literários das Américas, Grupo Internacional de Pesquisa Transculturalism / Transferts Culturels e CD-ROM Antologia de Textos Fundadores do Corporativismo Literário Interamericano, entre outros.
Existem muitos críticos literários de larga bagagem intelectual e de vasta produção em todas as universidades do Brasil e principalmente na UFRGS, mas com certeza Zilá Bernd deve ser uma das que alcançou um nível muito elevado de respeitabilidade entre os seus colegas de atuação, com reconhecimento no Brasil, no Quebec e na França.
A obra que está sendo escrita sobre a pesquisadora era para ser chamada de “Zilá Bernd, a mestra dos mestres”, porque seu autor a considera a melhor que já leu, mas Zilá não quis que a obra se chamasse dessa maneira e preferiu colocar no título um fato que pode ser verificado por quem desejar, uma vez que ela realmente foi a primeira a desenvolver estudos sobre a literatura Negra no Brasil.