Ao ultrapassar o portal que anuncia a chegada a Cambará do Sul, a sensação é imediata: é um território onde a paisagem impõe silêncio e respeito. Mas nem por isso a região pede isolamento. Pelo contrário: a Terra dos Cânions é um destino onde todo brasileiro deveria passar pelo menos uma vez na vida — e é também um local onde novas experiências surgem para provar que a natureza é potente por lá.
Com pouco mais de seis mil habitantes e um ritmo próprio, Cambará aprendeu a conviver com seu potencial turístico. O crescimento constante do número de visitantes, atraídos principalmente pelos cânions Itaimbezinho e Fortaleza, transformou o cotidiano da cidade. No centrinho, ainda é comum ver construções em andamento, pousadas ampliando sua capacidade e novos cafés surgindo.
Cambará do Sul integra o Geoparque Mundial da UNESCO Caminho dos Cânions do Sul, certificação que conecta municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina em uma área de relevância geológica, paisagística e cultural reconhecida internacionalmente. O título chancela não apenas a grandiosidade dos cânions da Serra Geral, mas também o compromisso regional com a preservação ambiental, o turismo responsável e a valorização das comunidades locais. É um território onde natureza, cultura e história caminham juntas.
“Cambará do Sul é um local para viver o verão em contato com a natureza, com a cultura gaúcha e serrana. É o melhor destino de natureza do Rio Grande do Sul”, afirma Andrews Mohr, secretário municipal de Turismo.
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Para explorar os principais atrativos desse conjunto, foi criada a Georrota Caminho dos Cânions do Sul, um roteiro turístico que conecta paisagens emblemáticas, sítios geológicos, cachoeiras, formações rochosas singulares e propriedades rurais. O percurso inclui experiências gastronômicas, vivências culturais e atividades ao ar livre que ampliam o olhar do viajante para além dos cartões-postais.
O ponto de partida mais frequente é o Parque Nacional de Aparados da Serra, onde está o icônico Itaimbezinho. Atualmente, três trilhas estão liberadas: do Vértice, do Cotovelo e do Rio do Boi.
Depois, há quem diga que é bom guardar o melhor para o final: o Parque Nacional da Serra Geral, onde está o cânion Fortaleza. A trilha inicial é rápida e acessível até um mirante de onde o visitante observa a divisa natural entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O parque ganhou estrutura nova desde a concessão e, ainda este mês, deve reinaugurar a tirolesa gigante, capaz de percorrer o cânion de ponta a ponta.
Nos últimos anos, a experiência em Cambará se expandiu para além das caminhadas. O destino se consolida também como polo de astroturismo, graças ao céu limpo e à baixa poluição luminosa. Observações noturnas guiadas com telescópios revelam constelações, planetas e nebulosas, transformando as noites frias da serra em espetáculos silenciosos.
No ritmo da tradição campeira, cavalgadas pelos campos de cima da serra conduzem o visitante por propriedades rurais e paisagens abertas que traduzem o modo de vida local, com paradas para chimarrão, histórias e refeições típicas.
E, para quem deseja contemplar os cânions sob um novo ângulo, o passeio de balão oferece uma das experiências mais emocionantes da região: voar ao amanhecer, enquanto a luz dourada colore os paredões da Serra Geral.
Entre uma aventura e outra, vale conhecer o centrinho de Cambará. A Casa do Turista é o melhor ponto de partida para montar roteiros. Próximo dali surgem antigos casarões de madeira, herança dos colonizadores. Um deles abriga o Centro Cultural Dr. Santo Borneo, com pequeno museu dedicado à memória do município e biblioteca no pavimento superior. Em frente, a igreja matriz São José divide a cena com uma curiosa sequoia, cuja origem remete a sementes enviadas ao espaço durante a missão Apollo 14, em 1971, depois germinadas e distribuídas a algumas cidades brasileiras, inclusive Cambará.
No fim das contas, visitar a Terra dos Cânions é vivenciar uma combinação rara entre grandiosidade natural, ciência viva e cultura serrana. Cambará não se limita a ser um cenário para fotografias. É território de contemplação, aventura, céu estrelado, tradição e descobertas — muitas delas reconhecidas agora sob o selo de um Geoparque Mundial da UNESCO.
Conheça os parques
Em uma viagem a Cambará do Sul, é fundamental visitar os cânions. Se você tiver apenas um dia de viagem, tente chegar cedo para aproveitar os dois parques. De acordo com os guias da região, o ideal é privilegiar passeios pela manhã, para evitar paisagens com neblina. Também é importante saber que o clima muda rapidamente por lá, podendo transformar dias amenos em clássicos de inverno.
Parque Nacional dos Aparados da Serra
É preciso percorrer 19 quilômetros a partir do centro de Cambará do Sul, boa parte em estrada sem asfalto. É considerado um dos mais antigos parques brasileiros e tem como ponto principal o cânion Itaimbezinho.
- 3 trilhas abertas
- Quiosque com venda de alimentos e bebidas
- Estacionamento e aluguel de bicicletas para trilhas
Parque Nacional da Serra Geral
São 23 quilômetros a partir do centro de Cambará do Sul, com trechos asfaltados e seguros. O parque abriga o maior cânion do Brasil, com paredões que ultrapassam 7 quilômetros de extensão.
- 3 trilhas abertas e uma tirolesa, que deve ser reinaugurada no dia 21/12
- Quiosque com venda de alimentos e bebidas
- Estacionamento e espaço para piqueniques
Passeio pelo centrinho
Embora muitos turistas foquem apenas nos parques e deixem a cidade para trás, vale a pena dedicar alguns minutos para conhecer o centro de Cambará do Sul. O ponto de partida pode ser a Casa do Turista. Também considere visitar:
- Centro Cultural Dr. Santo Borneo
- Igreja Matriz São José
- Sequoia histórica da Apollo 14
- Cafés, lojas de produtos regionais e restaurantes
Saiba mais sobre Cambará do Sul em: www.descubracambaradosul.com.br/
