Em 2019, o ator norte-americano Jussie Smollett ocupou páginas e páginas do noticiário. Negro e gay, ele teria sido alvo de um ataque racista e homofóbico. Era um prato cheio para integrantes do partido Democrata e a lacrosfera associarem o evento ao conservadorismo grupos nos Estados Unidos e, claro, ao então presidente Donald Trump.
O atual ocupante da Casa Branca, Joe Biden, e sua vice, Kamala Harris, puxaram a fila, que teve ainda manifestações da congressista Alexandria Ocasio-Cortez, uma espécie de Luciana Genro americana - o tom histriônico é bastante parecido, além dos posicionamentos ideológicos. E, claro, não podemos esquecer das manifestações de "artistas" e "intelectuais" (sim, entre aspas mesmo) mundo afora.
Nesta semana, com provas robustas trazidas pela investigação, Jussie Smollett, foi condenado por forjar o ataque, que contou com a participação de dois assistentes que trabalhavam com ele no set de filmagem da série Empire, em que ele era um dos protagonistas. Entre os elementos trazidos à tona há transferências bancárias e trocas de mensagens. A polícia local foi acusada de não fazer um trabalho idôneo. Os críticos só esqueceram de mencionar um detalhe importante: o principal responsável pelas investigações é... negro!
O episódio é mais um que serve para mostrar que com a turma da esquerda é preciso ter não apenas um, mas se possível dois pés atrás. No lugar de uma pulga, talvez seja interessante ter uma colônia de pulgas atrás das duas orelhas. Cautela e canja de galinha em doses cavalares são recomendadas.
A política, definitivamente, não é lugar pra escoteiros. Não há anjos. Mas é inegável que há um lado (todos sabemos qual) que sabe aproveitar muito bem esse tipo de "janela de oportunidade". Mesmo que seja uma mentira. No caso de Smollett, dias depois da farsa já havia elementos suficientes para colocar a versão do ator em xeque. E mesmo assim a turma seguiu construindo a narrativa que interessava à época.
No Brasil tivemos caso semelhante e que jamais poderá ser esquecido. Não para execrar a menina que o protagonizou, mas para servir como alerta. Às portas da eleição de 2018, uma jovem teria sido atacada por neonazistas em Porto Alegre. Os autores teriam marcado uma suástica na barriga da vítima usando uma faca ou canivete. Parcela expressiva da imprensa deu voz para conclusões precipitadas da esquerdalha nacional. Se no caso norte-americano o alvo era Trump, no Brasil ele virou automaticamente Jair Bolsonaro.
Semanas depois a verdadeira história veio à tona. Não houve ataque algum e a jovem - que sofria de algum tipo de desequilíbrio - admitiu que produziu uma fantasia. Tanto no caso americano quando no brasileiro esperar um pedido de desculpas daqueles que surfaram nas duas ondas é um atestado de ingenuidade. Sim, há episódios concretos, reais, de agressões ou até assassinatos. Obviamente se você, leitor, é um simpatizante da esquerda, deve estar lembrando neste momento do caso que envolve a vereadora Marielle Franco, assinada no Rio Janeiro. Eu acho que a história até hoje tem buracos e não foi devidamente contada. Mas eu gostaria muito de ver a mesma cobrança na esquerda para o caso envolvendo a tentativa de assassinato com uma facada, protagonizado por Adélio Bispo contra o então candidato Jair Bolsonaro – também uma história carente de explicações e respostas.
Mas esperar isso da esquerda? Talvez eu seja um ingênuo mesmo. Passa pra cá meu atestado de idiota.
