A cada dia, a cada semana, o número de arrependidos aumenta. Razões para isso não faltam, assim como não faltavam indícios de que o filme que vemos agora é uma reprise dos nossos piores momentos. Lula viajando em jatinho de empresário? Hmmm, tenho a impressão de que já vimos isso no passado. MST invadindo propriedade privada? Nossa, um déjà vu! Ministro do Supremo Tribunal Federal se encontrando com empresário investigado pela Polícia Federal? Achei que fosse démodé, mas descobrimos que virou tendência novamente!
Tudo isso e muito mais aconteceu nos últimos dias. E não completamos 30 dias desde que o segundo turno ocorreu e o novo (ou seria velho?) governo sequer assumiu. Diante de tanta coisa abjeta, a frase recorrente é: “Puxa vida, mas Lula não aprendeu nada, né?”. Não! Pelo amor de Deus, não! Este é o maior dos enganos! Ele aprendeu, sim! E aprendeu muito bem. Aprendeu que vale a pena; aprendeu que pode liderar o governo mais corrupto da história “deztepaís”; aprendeu que pode sair ileso a ponto de disputar novamente a Presidência da República, basta ter os amigos certos, no lugar certo.
No sábado escrevi sobre os economistas arrependidos – Henrique Meirelles, Armínio Fraga, Edmar Bacha, Pedro Malan, Elena Landau, entre outros. Alguns fizeram campanha aberta para Lula. Outros, oposição a Jair Bolsonaro, o que no final das contas produziu o mesmo efeito – um voto não declarado ao petista. E a cada dia que passa, com novas altas do dólar, novas quedas da bolsa, fica mais evidente que esta turma pegou o bonde errado da história – sem falar no impacto do cancelamento de privatizações, que pode ficar ainda pior se a geringonça petista de criar estatais for novamente ligada por Lula.
Que tal, hein, João Amoêdo?! Crítico de Jair Bolsonaro, um sujeito que fez uma votação interessante, em 2018, resolveu virar uma espécie de sombra de João Doria Jr., produzindo a mesma ladainha do ex-governador de São Paulo. Autodeclarado liberal, Amoêdo não conseguiu ver mérito algum na condução de Paulo Guedes à frente do Ministério da Economia. Agora, o liberal (de fachada?) desfila preocupações nas redes sociais, com o risco iminente de um novo inchaço da máquina pública (para refrescar a memória, nos 13 anos de governo, o PT criou 40 estatais).
Pergunto: quanto tempo falta para Geraldo Alckmin entrar no grupo dos arrependidos? Nas reuniões da transição, é visível que o picolé de chuchu é um estranho no ninho. A história ainda trará respostas neste sentido: afinal, quem plantou o tucano (uma vez emplumado, sempre emplumado) como vice do petista? Foi um segmento da indústria de São Paulo? Foram os grandes bancos? Parece um tanto óbvio que algo assim ocorreu, já que o desconforto é evidente. Quando Alckmin sorri, Gleisi Hoffmann fecha a cara. Quando Gleisi mostra os dentes, é Alckmin que não consegue esconder a insatisfação.
Tenho a mais absoluta certeza de que muita gente, hoje, ao ver as besteiras produzidas por Lula e sua trupe, ao se deparar diariamente com um filme de terror visto anos atrás e que agora se repete, adoraria voltar no tempo e mudar o voto. Infelizmente, isso não parece estar ao nosso alcance. Qual é a tábua de salvação desta turma? Bem, eu durmo com a consciência tranquila, porque não endossei o show de horrores que se instala no país, mas tenho pesadelos sempre que imagino o que será do país nos próximos anos. O barco é um só. Estamos todos nele, mas por alguma razão que a inteligência desconhece, teve gente que achou que seria uma boa ideia abrir uma fenda no casco. Se o desejo era afundar, poderiam ter feito isso sozinhos. Bastava pular na água.
