República bananeira O Brasil, como nação, talvez seja a representação máxima da incoerência. Um país que tem um agronegócio pujante, que coloca comida na mesa de milhões e milhões de pessoas em todo o planeta; que forma profissionais de ponta, que atuam na medicina, engenharia e entretenimento, dentro e fora dos limites nacionais; que tem uma indústria forte, que sobreviveu à concorrência chinesa e esgrima com players mundiais para manter e conquistar mercados. Pois bem, esse país é capaz também de produzir excrescências de dar inveja à mais tacanha das repúblicas bananeiras.
Como explicar que um sujeito que foi julgado e condenado em duas, ou até três instâncias, esteja livre, leve e solto, fazendo campanha e podendo novamente concorrer à Presidência da República? Mais assustador ainda é o fato de ele liderar boa parte das pesquisas. É Síndrome de Estocolmo, só pode. “Ah, mas Lula foi inocentado”. Não, não foi. As sentenças foram anuladas, que é diferente de considerar o réu inocente, em uma decisão tomada por uma corte formada por gente incapaz de passar em um concurso público para juiz, por gente que nutre simpatia por movimento bandoleiro como o MST, por gente que manda prender um deputado federal por crime de opinião, solapando algo previsto na Constituição, chamado "imunidade parlamentar". Que suprema corte é essa?!
Falando em MST, só aqui ainda chamamos homens, mulheres e crianças – que são usados como massa de manobra – de “movimento social”. Em qualquer país sério do mundo, isso não se cria. Não precisamos ir longe. Aqui ao lado, no Uruguai, que já foi governado pela esquerda, não há algo semelhante. Propriedade privada é coisa séria, é respeitada. Aqui, ela é relativizada na própria Constituição, com a famosa (e absurda expressão) “função social”, que deu margem para normatizar invasões, saques, crimes.
Durante a semana, nos deparamos com a notícia que produziria um nó na cabeça de americanos, alemães ou japoneses. O famoso caso do triplex do Guarujá deverá ser arquivado. Segundo o Ministério Público, as penas aplicadas pela Justiça anteriormente mostram que o prazo para punir Lula prescreveu. Como há uma redução para acusados com mais de 70 anos e o ex-condenado tem 76, ele não poderá mais ser punido. Ou seja, o triplex, que segundo Lula nunca foi dele (apesar de ter sido ampliado, reformado, visitado e de constar na declaração do Imposto de Renda), agora não representa mais um risco de punição para o petista. Será que ele agora vai buscar as chaves? Seria o auge do deboche.
Com base nas decisões estapafúrdias do Supremo Tribunal Federal, com ministros que mudam de opinião com uma velocidade impressionante, os demais réus da Lava Jato agora encontraram a jurisprudência e os atalhos necessários para retomarem o protagonismo que um dia tiveram. Ou você duvida, por exemplo, que Sérgio Cabral não possa um dia ser eleito novamente governador do Rio de Janeiro? Ou que Eduardo Cunha volte a presidir a Câmara dos Deputados? Eu não.
Somos, sim, uma república bananeira. Que produz soja, milho, carne, aviões, carros, e eletrônicos. Uma república bananeira que forma e entrega ao mercado profissionais de referência nas mais variadas áreas. Uma república bananeira que está entre as maiores economias do mundo. Mas que, apesar de tudo isso, é bananeira porque não aprendeu a votar, porque não se rebela, porque é comodista.
Não aprendeu a votar porque segue acreditando em conto de fadas e Papai Noel. Porque segue gastando mais tempo para escolher o chefe do poder executivo, mas não dá a mínima pelota na hora de decidir quem vai legislar. Não se rebela porque vê direitos fundamentais serem tolhidos, como foram na pandemia. É comodista porque acha que está bom assim do jeito que está. É comodista porque não se incomoda, nem mesmo, após ser chamada de “república bananeira”. Afinal, banana é bom, né? É docinha, dá para fazer mingau e colocar no sorvete.
Como diz um amigo: “Seremos sempre um mercado, mas jamais seremos uma nação”.
