Guilherme Baumhardt

TSE caolho

O voto para jovens de 16 e 17 anos é facultativo, não obrigatório

Há uma campanha do Tribunal Superior Eleitoral que incentiva os jovens de 16 e 17 anos a fazerem o título de eleitor. O voto é facultativo para este público. O voto não é obrigatório, também, para quem tem mais de 70 anos. Porque não há um trabalho semelhante, mas com foco na terceira idade? Trata-se de uma faixa etária cada vez mais significativa no Brasil – nossa expectativa de vida vem aumentando ano após ano, ressalva feita ao período de pandemia. É mais um tropeço da Justiça Eleitoral, que recentemente convidou artistas nacionais, com ideologia bastante definida – alguns com voto declarado em candidatos da esquerda – para participarem de outras campanhas do TSE. Não é ruim, é péssimo.

Bem-feito (e viva a liberdade!)

A agência de fact checking (argh!) Aos Fatos perdeu a queda de braço com a revista Oeste. Em 2020, a agência (argh!) classificou como fake news uma reportagem da Oeste sobre a Floresta Amazônica, que contestava dados sobre queimadas na região. Em março de 2021 houve episódio semelhante, em uma publicação sobre a pandemia de Covid-19. Nos dois casos, o carimbo "fake news" foi usado pelo “ministério da verdade”. Na semana passada, a Justiça deu ganho de causa para a revista. A agência (argh!) foi condenada a pagar R$ 50 mil de indenização, além de excluir qualquer insinuação de que os textos publicados pela Oeste não expressam a verdade.

Compra tudo, Musk!

Elon Musk, dono da Tesla, SpaceX e agora de uma fatia considerável do Twitter, apresentou uma proposta para comprar a totalidade das ações da empresa, uma das redes sociais mais utilizadas no mundo – um negócio que pode chegar a R$ 200 bilhões. Na sustentação que fez para a Comissão de Valores Mobiliários, Musk disse que pretende transformar a plataforma em um ambiente de “livre expressão”. A notícia da sexta-feira é de que o príncipe saudita Alwaleed Bin Talal, que detém um grande volume de papéis, teria recusado a oferta. Em tempo: Talal está longe de ser enquadrado como um defensor da liberdade.

Termômetro

Se uma nova proposta de Musk for aceita (chances remotas), o que acontecerá será um excelente termômetro do que deseja o mundo. Uma valorização da empresa significa que banimento de contas e censura estão em baixa, um recado claro de que a liberdade ainda é o bem mais precioso. Se for minimamente inteligente, a geração mimimi bebedora de clorofila precisa entender o recado.

Primeira baixa...

O ator global José de Abreu, conhecido também por cuspir na cara de pessoas que discordam de suas posições políticas (mulheres, inclusive), anunciou que está abandonando o Twitter. Importante frisar: ele está saindo, não foi expulso, não foi censurado, não foi banido. Decisão pessoal dele. É linda a liberdade, não?

Ah, o Conselho Universitário...

A Prefeitura de Porto Alegre convidou a Ufrgs para colaborar com a revisão do Plano Diretor. A proposta de cooperação técnica até andou em um primeiro momento, mas empacou no Conselho Universitário. Não há surpresa alguma para quem conhece minimamente o Consun – o colunista já foi alvo de uma moção de repúdio dessa turma, moção que em breve será emoldurada e colocada na parede como troféu. Perde a Ufrgs, que teria a chance de apresentar ideias e oferecer uma espécie de contrapartida para a cidade que abriga boa parte dos seus campi.

Palmas para Lasier

São grandes as chances de que Lasier Martins tenha sido – mais uma vez – voz única contra os desmandos do STF. Durante sessão do Senado, o gaúcho cobrou duramente a abertura do processo de impeachment contra Alexandre de Moraes. Em evento recente, dois ministros da Suprema Corte (Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski) ultrapassaram novamente os limites recomendáveis e prudenciais (afinal, eles podem muito, mas não podem tudo). O que se viu: o recato foi pelo ralo, a cautela não deu o ar da graça e sobrou verborragia política. Nos Estados Unidos seria escândalo nacional.

Falando em Senado...

A disputa pela cadeira de senador é aquela que pode trazer a principal das armadilhas para o campo mais conservador (ou direita). Lasier Martins é candidato natural à reeleição, mas terá a concorrência pesada do atual vice-presidente, general Hamilton Mourão, e da ex-senadora Ana Amélia Lemos. Qual é o risco? Uma pulverização de votos em três ou quatro candidaturas do mesmo campo ideológico, abrindo caminho para uma vitória da esquerda, que conseguiria eleger um candidato com apenas 20% ou 25% dos votos.