Já há algum tempo que se vem falando que a Ucrânia estaria preparando uma contraofensiva na guerra que trava com a Rússia. Isto se daria pelo fato de as forças russas não conseguirem mais avançar em território ucraniano, vide a cidade de Kherson, que foi tomada pelos russos e retomada na maior parte pela Ucrânia, e também pelo fato de que o Ocidente está descarregando em massa armamentos pesados na Ucrânia. Vale lembrar que a Ucrânia está recebendo os modernos tanques Abrams, dos Estados Unidos, Challanger, do Reino Unido, e Leopard 2, da Alemanha, caças F-16 dos EUA, canhões de longo alcance e outros equipamentos de outros países. O que é questionado para a deflagração agora desta contraofensiva é que os soldados ucranianos precisavam fazer treinando para operar esses equipamentos. Este treinamento deveria ser oferecido na Polônia, onde também estaria sendo montada uma oficina de reparo dos tanques. Também este treinamento é uma incógnita.
Em função desses aspectos que, no início de maio, o primeiro-ministro ucraniano Denys Shmygal indicou que era previsível que a contraofensiva ocorresse durante o verão. Segundo a Euronews, os peritos ocidentais parecem inclinados a validar a posição do primeiro-ministro da Ucrânia: no final da primavera ou mesmo no início do verão, o que significa meados de junho. “Querem boas condições meteorológicas para que possam efetuar as operações de manobra ofensiva e proteger as suas próprias forças. Mas também estarão buscando antecipar-se às tentativas russas de aprofundar e fortificar a sua própria posição. Por isso, estarão tentando equilibrar essas três coisas. E penso que o tipo de janela de oportunidade é dentro dos próximos dias”, disse à Euronews Robert Cullum, especialista em Estudos de Defesa do King's College London. Mas, mesmo antes disso, não há dúvida de que as Forças Armadas ucranianas irão fazer o reconhecimento do campo de batalha, com operações de escala limitada, para identificar fraquezas na defesa russa. O que poderiam ser as ações que estão sendo anunciadas em Donetsk.
As ações da contraofensiva ucraniana deverão se concentrar em direção ao Leste, para tentar retomar partes do Donbas que estão em poder dos russos, assim como para o Sul, na tentativa de retomada da Crimeia. Só para dimensionar as dificuldades pela frente, especialistas lembram que a rota mais curta em direção à Crimeia seria por Kherson. Mas isto demandaria ter que atravessar o rio Dnipro, que tem cerca de um quilômetro de largura. E, neste caso, ficar como alvo fácil da artilharia russa. Tratam-se, portanto, de grandes desafios. Até porque a Rússia, evidentemente, está esperando esta contraofensiva e se preparando para tal. E até já reagindo, segundo as últimas informações.
Segundo os serviços secretos ocidentais, a Rússia estaria construindo um sistema de defesa numa faixa ao longo de 800 quilômetros dentro do território ucraniano. Consistiria em quilômetros de valas antitanque, trincheiras, arame farpado, obstáculos de todo o tipo e postos de tiro fortificados. Há que considerar ainda que a Rússia dispõe de um razoável sistema aéreo, o que a Ucrânia não tem. A vantagem da Ucrânia vem pelas informações detalhadas das posições e ações russas que são fornecidas pelos sistemas de inteligência dos Estados Unidos.
De qualquer forma, tudo é uma incógnita. Tanto quando ao fato de a contraofensiva ter sido lançada ou não, como se a Ucrânia poderá avançar e alcançar seus objetivos. Pois também poderá ser derrotada e ver a Rússia avançar ainda mais sobre seu território.
