Superado o conflito entre Israel e Irã, com o cessar-fogo, as atenções se voltam agora para Gaza e Ucrânia. Na esquecida Faixa de Gaza é preciso atender desde o sistema de abastecimento, que está matando de fome os palestinos, até a questão dos reféns, fato que mantém famílias israelenses em desespero há quase dois anos. O que se vislumbra é que esta possibilidade de libertação dos reféns em troca do fim da guerra parece estar muito próxima. Especialmente depois das intervenções do presidente Donald Trump.
Porém, ao mesmo tempo, é preciso aliviar o massacre a que o povo palestino está submetido. Desde que Israel e EUA assumiram a distribuição de alimentos, vive-se o caos na região, com o absurdo de muita gente ser morta ao tentar pegar comida.
MUDANÇA
Toda esta confusão está acontecendo desde que resolveram tirar das mãos de órgãos humanitários e da ONU a realização deste serviço. Acontece que estes tinham, no mínimo, 40 postos de distribuição, porém, com o esquema israelo-americano são apenas quatro postos.
Esta é a oportunidade para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que está com seu prestígio em alta em função da guerra com o Irã, dar a volta por cima com a questão dos reféns. Foco dos maiores protestos contra ele, em Jerusalém e Tel Aviv. Sabe-se que ele tem oposição forte dentro de seu próprio gabinete, de líderes que querem seguir com a guerra independente da questão dos reféns. Acontece que, se dias atrás se dizia que quando deixasse o governo Netanyahu poderia até ser preso, agora o momento é mais favorável para ele. Podendo, numa eleição, recompor seu gabinete com figuras menos radicais.
NEGOCIAÇÃO
Todavia, não bastará terminar com a guerra sem que seja iniciada uma ampla negociação com relação ao futuro de Gaza, assim como da Cisjordânia. E esta negociação tem que ter, além dos diretamente envolvidos, os Estados Unidos e o mundo árabe. E aí é importante remeter a uma iniciativa do próprio presidente Trump, que chegou a ser impulsionada em parte e com bons resultados. Falo dos Acordos de Abrahão, que ele estruturou ainda no seu primeiro mandato e que já resultaram em acordos de Israel com quatro países árabes. A filosofia dos acordos é espetacular: unir o conhecimento científico e tecnológico de Israel com a capacidade e poder de investimentos do mundo árabe.
Ou seja, entre outras, dar oportunidades aos palestinos. Porém, o fundamental dentre os palestinos será separar o joio do trigo, dando força para organizações moderadas, como o Fatah, que conduz a Autoridade Palestina, e isolando organizações terroristas como o Hamas. Simples! Claro que não, mas é um caminho a ser seguido.
UCRÂNIA
Antes desprezada por Trump, a Ucrânia parece ganhar um novo enfoque por parte do presidente americano. Simbólica a manifestação dele para com a jornalista ucraniana, durante a cúpula da Otan, a qual lhe disse que seu marido estava na frente de batalha e precisavam de sistemas Patriots de proteção. Trump, que havia cortado todo o envio de armas para a Ucrânia, prometeu atender o pedido da jornalista, mãe e esposa de soldado na batalha.
Porém, seguramente, tem colaborado para a mudança de posição de Trump não só fato de ele ver que seu interlocutor Vladimir Putin é um grande enrolador, como e, principalmente, a posição forte adotada pela Otan em sua cúpula da semana passada em Haia. Apoio maciço para a Ucrânia, refletido por investimento de 5% do PIB dos países membros em defesa. A Europa quer apagar a imagem de estar enfraquecida e de ser dependente dos EUA. Daí os fortes investimentos.
AMEAÇA
Enquanto Trump ficava adulando Putin e o considerando um parceiro, a Europa percebia as reais intenções expansionistas do russo. E ele, que tem uma saudade imensa da União Soviética, conseguiu fazer com que entrasse em discussão a “validade” do término da União Soviética. Apresentou-se esta semana um jurista que disse que o término da URSS não obedeceu ao rito legal e que, portanto, a mesma ainda continuaria existindo. E agora vem a preciosidade: a questão da Ucrânia, portanto, é do âmbito interno da União Soviética.
