Jurandir Soares

Agora é Rússia x OTAN

A autorização do uso dos mísseis de longo alcance pela Ucrânia pode significar a ampliação do conflito, pois Putin já havia declarado que isso representaria guerra contra a OTAN

A guerra entre Rússia e Ucrânia escalou de forma profunda e perigosa nos últimos dias e, a deduzir-se pelo que já foi dito pelo presidente Vladimir Putin, estamos diante de uma confrontação das forças russas contra as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN. Esclarecendo: o Ocidente acaba de comprovar a presença de cerca de 10 mil soldados da Coreia do Norte em território russo. Eles já estariam sendo utilizados para tentar afastar as forças ucranianas da região russa de Kursk, tomada em julho passado. Diante deste fato, os Estados Unidos atenderam uma demanda de muito tempo do presidente Volodimir Zelensky, ou seja, o uso de mísseis de longo alcance da coalizão ocidental contra o território russo.

ETAPAS

Esta é uma etapa extremamente grave, porque vem na sequência da primeira autorização norte-americana de uso pela Ucrânia de mísseis de curto alcance contra o território russo. Agora, são os mísseis de longo alcance. E isto implica o que pode ser a ampliação total da guerra. Isto porque o presidente Putin já havia declarado que o uso de mísseis de longo alcance contra o território russo representaria uma guerra contra a OTAN.

O que significaria que a Rússia estaria enfrentando os 32 países que compõem a Aliança Atlântica, indo dos europeus, passando por Estados Unidos e Canadá e chegando até a Turquia e Grécia. Ou seja, uma poderosíssima aliança.

ORIGENS

E um detalhe curioso. A OTAN fora criada em 1948, no período da Guerra Fria, para se contrapor ao Pacto de Varsóvia, criado antes como força de defesa da então União Soviética. Hoje, muitos dos países que à época orbitavam Moscou estão integrando não só a União Europeia como a própria OTAN. Começa pela Polônia cuja capital, Varsóvia, foi sede e deu nome ao pacto de defesa do sistema soviético.

Hoje estão em lado oposto a Moscou os ex-integrantes da URSS Bulgária, Tchéquia, Eslováquia, Estônia, Hungria, Letônia e Lituânia. Sem contar outros países comunistas aliados de Moscou, como a Albânia e aqueles que se desintegraram da Iugoslávia, como Croácia, Eslovênia, Montenegro e Macedônia do Norte.

PERIGO

Lembrando as dificuldades que a Rússia encontrou na invasão da Ucrânia, percebe-se que não terá condições de enfrentar todo esse contingente da OTAN. Vale lembrar que quando Putin desencadeou o que chamou de “operação militar especial”, pretendia tomar o controle da Ucrânia em questão de dez a quinze dias. Depois disto, colocar um seu aliado no poder. Em fevereiro a guerra completa três anos e os objetivos não foram alcançados.

Neste fim de semana as forças russas intensificaram os bombardeios, especialmente, contra a capital Kiev, contra a qual foram desenvolvidas cargas de mísseis e drones. Ao mesmo tempo em que conseguiram atingir o sistema de fornecimento de energia elétrica para o país, provocando racionamento de energia.

EXPECTATIVA

A expectativa que fica é sobre essa reação de Putin. Como estamos a apenas dois meses da posse de Donald Trump nos Estados Unidos, é possível que ele leve a guerra numa espécie de “banho-maria”, procurando manter e, dentro do possível, ampliar o domínio sobre a região do Donbas. Afinal, Trump já anunciou que assume a Casa Branca num dia e no outro acaba com a guerra.

Esta intenção de Trump deixou transparecer sua vontade de agir para que a Ucrânia entregue a área tomada pela Rússia, em troca de seu ingresso na União Europeia e na OTAN. Este poderia ser o fim do conflito acrescido de medidas para que Putin não ousasse novas aventuras na Ucrânia.

CONFRONTO

Mas esta é apenas uma suposição e que depende ainda de algum tempo e do que Trump irá propor. Neste momento estamos diante da autorização dos EUA para a Ucrânia usar mísseis de longo alcance contra o território russo e da declaração de Putin de que isto representa uma guerra contra a OTAN. E esta guerra hoje representaria uma nova Guerra Mundial. E, diante da inferioridade das forças russas convencionais, vem à tona aquela ameaça que Putin faz desde o início da guerra: o uso de armas nucleares.

Revendo o que aconteceu na Segunda Guerra em Hiroshima e Nagasaki, pode-se imaginar o pavor que a ameaça representa.