A ida do presidente russo, Vladimir Putin, à Coreia do Norte, para encontrar-se com o ditador Kim Jong-un, está inserida naquela máxima de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Isolado cada vez mais, desde que promoveu a invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro de 2022, Putin busca não só alianças, mas, fundamentalmente, fornecedores de armas para o que ele, eufemisticamente, segue chamando de operação militar especial. Aliás, como resultado dessa operação, já foram vistos restos de mísseis norte-coreanos em território ucraniano. Numa demonstração de que essa parceria já existe. E esta parceria agora se fortalece e se torna mais perigosa com o anúncio do pacto feito entre os dois dirigentes, estabelecendo que, se um dos países for atacado por um terceiro, o outro sairá em sua defesa.
APARATO
Lançamento de míssil tem sido uma especialidade da Coreia do Norte. Seguidamente um deles passa por cima do território japonês, caindo no mar. O país não tem dinheiro para alimentar sua população, mas o tem para fins bélicos. Tanto que está tentando desenvolver até a bomba atômica. A Coreia do Norte já aperfeiçoou tanto o seu sistema, que possui até um míssil tático, difícil de ser abatido e que pode percorrer 15 mil quilômetros. Ou seja, pode atingir o território dos Estados Unidos. Aliás, é este que tem passado sobre o Japão. Mas o que está interessando muito a Vladimir Putin atualmente são as granadas para mísseis. Consta que Putin já recebeu 3,5 milhões desses artefatos e tem uma encomenda de mais 3,3 milhões.
Dentre os acordos de cooperação estratégica firmado pelos dois dirigentes, fica contemplado o fornecimento de mísseis e munições por parte da Coreia do Norte, enquanto Moscou fornece o gás e o petróleo. O objetivo, conforme declarou o próprio Putin, é driblar as sanções impostas aos dois países pelo Ocidente. “Desenvolveremos mecanismos alternativos de comércio e de acordos mútuos não controlados pelo Ocidente. Vamos nos opor conjuntamente às restrições unilaterais ilegítimas”, declarou Putin em um artigo publicado pelo Rodong Sinmun, o diário oficial do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte.
CRESCIMENTO
Desde a eclosão da guerra na Ucrânia a cooperação entre os dois países cresceu substancialmente. As relações comerciais se multiplicaram por 10 em 2023, chegando a 32 bilhões de euros. Aliás, com o incremento substancial de suas vendas para a Coreia do Norte e para a China, a Rússia tem obtido melhores resultados comerciais agora do que tinha no tempo em que vendia para a Europa. Tanto que, enquanto moedas como o nosso real, bem como os pesos argentino e mexicano, perderam força frente ao dólar nos últimos tempos, o rublo russo se valorizou. Teve nesta semana, por exemplo, uma valorização de 4,32%.
Ainda de acordo com o artigo do jornal norte-coreano, Putin agradeceu o fato de Pyongyang apoiar as “operações militares especiais da Rússia na Ucrânia”. E disse ainda que “os EUA estão fornecendo mísseis de precisão de caças F-16 com capacidade de longo alcance” a Kiev. “Sob esse aspecto, a Rússia não exclui a cooperação técnico-militar com a Coreia do Norte”, afirmou, usando o jargão russo para fornecimento de armas. Depois, afirmou que a crescente cooperação entre EUA, Japão e Coreia do Sul é “claramente hostil” a seus anfitriões, esquecendo de mencionar o exercício aeronaval em águas da região que ordenou para coincidir com sua visita.
AMBIÇÃO
Curioso é que o Ocidente vê as ações Putin na Ucrânia como uma ameaça à região, devido à ambição expansionista do líder russo, saudoso dos tempos da União Soviética. Putin de sua parte destacou que a Coreia do Norte se torna um “fiel camarada” para ajudar a conter “as ambições do grupo ocidental”. Enfim, cria-se mais um cenário ameaçador. E quem deve estar observando tudo com muita atenção é a China, que pode ser considerada uma aliada tanto da Rússia como da Coreia do Norte. Já o Ocidente observa tudo com cada vez maior preocupação.
