O presidente norte-americano, Donald Trump, tem se caracterizado por muitas promessas e um número igual de recuos em suas intenções. O mais recente recuo diz respeito à promessa que ele fez ainda quando era candidato à presidência, ou seja, de que tão pronto assumisse o cargo acabaria com a guerra na Ucrânia. Pois, nesta terça-feira, 20, completou quatro meses no comando da Casa Branca e a data coincidiu com seu comunicado aos parceiros da Europa, segundo relatou o Financial Times, de que estava abrindo mão da mediação daquele conflito. Disse que não só se retiraria das negociações, como também abriria mão de exercer pressão sobre o russo Vladimir Putin.
AMIGO
O curioso é que, logo que assumiu, enquanto a Europa respaldava militarmente a Ucrânia, Trump não só cortou a ajuda àquele país, como também iniciou uma aproximação com Putin, a quem chamava de seu amigo. E chegou a iniciar conversas com ele, dando a entender que concordava com suas reivindicações para por fim ao conflito. Ou seja, a Rússia ficar com a Crimeia, tomada em 2014, ficar com a região do Donbas, no leste da Ucrânia, embora não tenha tomado toda a área, e a Ucrânia não vir fazer parte da Otan, ou ter forças estrangeiras em seu território.
O que Putin propunha e Trump concordava, significava a capitulação da Ucrânia. Os europeus, que vêm dando reforços para a Ucrânia desde o início do conflito, decidiram não só continuar, como também, aumentar a ajuda ao governo de Volodimir Zelensky.
SANÇÕES
Paralelamente à ajuda bélica, a Europa decidiu aumentar as sanções contra a Rússia, lançando nesta terça-feira, 20, o 17° pacote de medidas. Estas implicaram em suspender as importações de gás que ainda eram feitas. O que se deu depois de um acerto para receber o gás vindo de EUA, Canadá e Catar. Assim como também decidiu bloquear a chamada “frota sombria”, ou seja, os navios sem bandeira que levam o petróleo russo para os mais diferentes mercados. E mais: estabelecer sanções contra 46 instituições financeiras que têm transacionado com Moscou.
Ou seja, a Europa não quer dar para Putin o prêmio que Trump estava disposto a dar. Ou seja, o prêmio da concessão de territórios ao país que rompeu os preceitos de limites territoriais estabelecidos pelas Nações Unidos ao fim da Segunda Guerra.
PROMESSAS
A questão da Ucrânia é apenas mais uma de uma lista que ações que Trump propagandeou e não realizou. Ou tentou realizar e teve que voltar atrás, como foi o caso das taxações. Num de seus arroubos de megalomania, estabeleceu altas tarifas para todos os seus parceiros comerciais mundo afora. Resultado imediato foi a quebra das ações na Bolsa de Nova Iorque e a perspectiva de aumento de preços no mercado norte-americano, com a consequente elevação da inflação.
Voltou atrás e deixou as taxas de 145% vigorando apenas para China. Foi alertado da elevação de preço que isto geraria em produtos altamente consumidos no mercado norte-americano e que são produzidos na China. A começar por celulares indo até carros elétricos. Acabou tendo que recuar também no que toca às taxas para a China.
E para completar, viu nesta quarta-feira doze estados norte-americanos entrarem com ação junto a tribunal federal, pedindo a suspensão das taxas impostos por Trump a 2 de abril. A alegação é de que ele violou sua autoridade ao declarar uma emergência nacional para impor taxas sobre importações.
ANEXAÇÃO
Somam-se aos recuos de Trump outras promessas absurdas que fez, como anexar o Canadá como 51° estado norte-americano e invadir a Groenlândia. O que conseguiu foi tornar o Canadá, de importante parceiro comercial e de atividades na Otan, num vizinho hostil. Quanto à Groenlândia, parou de falar na tomada pela força, porque alguém lhe alertou que a Dinamarca, que possui o domínio da ilha, é um membro da Otan. E o estatuto da organização, em seu artigo 5°, estabelece que se um membro for atacado, todos os demais devem sair em sua defesa. Ou seja, Trump estaria criando um enfrentamento armado com os seus parceiros da Otan.
CONQUISTA
Mas, para não dizer que todas as promessas de Trump resultaram em fracasso, tem-se a exceção do Panamá. Ele prometeu retomar o canal se os chineses não fossem afastados dali. Sem querer bronca para o seu lado, o presidente panamenho José Raúl Mulino decidiu convencer os chineses a deixarem a administração do canal, assim como da desistência do Panamá de participar do esquema da nova Rota da Seda.
Enfim, Trump, embora presidindo a maior nação do mundo, tem sido um dirigente espalhafatoso, com atitudes midiáticas, porém, com poucas ações de sucesso.
