A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos já pressupunha uma mudança de rumo nas decisões partidas da Casa Branca, mas não se imaginava que o resultado do pleito viesse também acompanhado da constatação da passagem de um contingente de eleitores do Partido Democrata para o Partido Republicano. As pesquisas indicaram que Trump conquistou os votos de 56% dos sem diploma e dos que ganham até 50 mil dólares anuais. Ou seja, tradicionais eleitores do Partido Democrata, que sempre foi considerado como defensor dos trabalhadores.
Foi também significativa a mudança ocorrida no chamado Cinturão Azul – nome dado em alusão ao predomínio democrata –, formado pelos estados da Pensilvânia, Ohio, Michigan, Illinois e Wisconsin, que concentrava grande número de indústrias e que passou a ser chamado de Cinturão da Ferrugem, pelo fechamento delas. Ali também deu Trump.
EMPREGO
O que explica esta situação chama-se perda de emprego. E neste ponto o discurso de campanha de Trump foi muito mais objetivo. Ainda mais quando falou em taxar em 100% a entrada de veículos e produtos procedentes do México e da China, ao mesmo tempo prometendo levar as fábricas de volta para os EUA. Contrariando a história do Partido Republicado, Trump tem se postado como um protecionista. E é isto que o cidadão americano comum quer, a proteção do seu emprego.
Enquanto isto, o Partido Democrata tem se voltado mais para questões que começaram a pontuar ultimamente, que são as de gênero, raciais, religiosas etc. Não que estas não sejam importantes, mas o emprego significa ter o que comer e onde morar.
CONCORRÊNCIA
Soma-se a isto a concorrência que representa para o americano de pouco conhecimento a entrada de imigrantes no país. Este americano está vendo aquele contingente imenso que, diariamente, busca penetrar pelas fronteiras do país, vindo a ser aquele que irá tomar o seu emprego, trabalhando por um salário mais baixo.
Este foi outro aspecto que Trump soube trabalhar bem durante a campanha, com suas ameaças de fechar as portas e mandar todos de volta para seus países. Sem contar a culpa que impôs a Kamala Harris pelas milhares de entradas ilegais no país.
EXTERIOR
Se na parte interna do país já há uma constatação do que aconteceu, no que toca à política externa tudo ainda é expectativa e preocupação. E isto passa fundamentalmente pelos parceiros americanos da OTAN e pela até então protegida Ucrânia. No âmbito da Aliança Atlântica há a crença, cada vez maior, de que os europeus devem se reestruturar para serem responsáveis por sua própria defesa. Sem depender dos EUA, conforme acontece desde que a organização foi fundada em 1948.
Vale lembrar que durante seu governo Trump cobrou, com razão, de seus parceiros o valor que cada um precisa pagar para manutenção da OTAN. Este valor corresponde a 2% do PIB de cada país. E o único país que estava cumprindo com esse ditame era justamente os Estados Unidos. Daí o fato de Trump ter ameaçado de não dar mais proteção aos membros que não estiverem em dia com seu pagamento.
AMEAÇA
“Vou deixar que os ataquem. Não vou lhes defender”, disse Trump por ocasião de um pronunciamento em que fez forte cobrança aos aliados europeus. Isto ressoa agora quando a Europa está concentrando toda a ajuda possível à Ucrânia, visando impedir o avanço de Vladimir Putin. E, especialmente, pelo fato de Trump ter declarado que assumiria num dia e no outro ele terminaria com a guerra na Ucrânia.
A sensação que ficou é de que ele irá forçar a Ucrânia a entregar os territórios que a Rússia tomou. Comprovação disto foi a declaração feita pelo Kremlin, neste domingo, dizendo que “o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, deu sinais positivos” sobre a solução do conflito entre Rússia e Ucrânia.
VERBA
Aliás, este foi mais um ponto que Trump somou junto aos eleitores norte-americanos, ao dizer que o dinheiro que está sendo destinado à guerra deve ficar no país em benefício dos trabalhadores. Tendo ressaltado que já foram enviados 67 bilhões de dólares para a Ucrânia.
Assim é que, se algumas mudanças já foram sentidas com a eleição de Trump, outras, muito mais profundas, ainda estão por ocorrer.
