A pergunta que se faz hoje é até quando o ditador Nicolás Maduro conseguirá suportar as pressões internas e externas e se manter no poder. Afinal, torna-se cada vez mais evidente a fraude proporcionada pelo regime na eleição de domingo, 28. Conversei nesta sexta-feira com o professor universitário e empresário venezuelano Gregório Paluzsni que foi um dos “testigos”, as testemunhas que a oposição colocou para fiscalizar cada sessão eleitoral e tirar cópia das atas de votação. O relato dele é contundente. Disse que a oposição se articulou de modo a ter um fiscal em cada uma das seções eleitorais, em todo o país. Além disto, contrataram um instituto de pesquisa para fazer a boca de urna, sem dar publicidade, porque o governo proibiu tal operação. Logicamente, já temendo um resultado que inviabilizaria a manobra que acabaram realizando pós eleição.
VANTAGEM
Segundo o relato, a oposição vinha acompanhando o resultado de cada ata que saía. Surpreendentemente, por volta das oito horas da noite de domingo, o governo emitiu uma ordem para que parassem de enviar as atas. Como a oposição tinha cerca de 80% delas, pôde constatar que até ali o candidato Edmundo González Urrutia tinha cerca de 64% dos votos, enquanto Maduro ficava com cerca de 30%. E foi justamente alegando o resultado de 80% das urnas de votação apuradas que o governo anunciou a vitória de Maduro. Ou seja, a manobra de Maduro e de seus asseclas ficou muito evidente. Pura fraude, patrocinada pelo Conselho Nacional Eleitoral, órgão que foi devidamente aparelhado pelo chavismo. Assim como também o foi a Corte Suprema de Justiça e a Assembleia Nacional. Esta última, graças a uma manobra de Maduro, que destituiu a Assembleia que fora eleita em 2017 e que tinha maioria de dois terços da oposição. Depois disto nomeou os seus adeptos para a nova Assembleia, que agora lhe dá respaldo.
MOVIMENTO
Diante de todas estas evidências de fraude na eleição, tornou-se necessária a mobilização internacional, até porque a repressão voltou com toda a força. Segundo as informações, 12 pessoas já morreram em meio aos protestos. Aliás, os protestos haviam diminuído muito no país por conta da ação dos chamados Coletivos Armadas. Grupos de motoqueiros, armados pelo governo, para disparar contra manifestantes. Já o presidente da Assembleia fantoche pediu as prisões da líder opositora María Corina Machado e do candidato Edmundo González. O importante é que o movimento de contestação do resultado eleitoral ganhou adeptos até na esquerda latino-americana, como os presidentes do Chile, Gabriel Boric, e da Colômbia, Gustavo Petro. Este resolveu se aliar a Lula e ao mexicano Lopez Obrador para pedir a Maduro que apresente as atas com o resultado da eleição. Ora, isto tinha que ser apresentado logo que finalizada a apuração. Não o foi porque Maduro queria tempo para fazer a falcatrua. Os três ainda vieram com uma proposta de diálogo de Maduro com González, sem a participação de María Corina.
DEFINIÇÃO
Enquanto alguns países, como o Brasil, ficavam na esperança de uma carta na manga de Maduro, outros, como Estados Unidos, Argentina e Uruguai, decidiram reconhecer a vitória de González, diante de fatos contundentes, como estes relatados pelo professor Paluzsni. Iniciando uma lista que tende a aumentar significativamente. Fica a indagação sobre a posição de Maduro. E esta, seguramente, será de endurecimento, respaldado por figuras marcantes de seu governo, como Diosdado Cabelo, espécie de eminência parda do governo, e Vladimir Padrino Lopez, comandante das Forças Armadas. Aliás, este já se apressou em declarar em nome das Forças Armadas que Maduro “foi legitimamente reeleito pelo Poder Popular e proclamado pelo Poder Eleitoral para o próximo período presidencial 2005 – 2031”. Ou seja, Maduro, que já cumpriu dois períodos de seis anos cada, teria mais outro de seis anos.
ENDURECIMENTO
O que se deduz é que, apesar de toda a mobilização internacional, Maduro não vai aceitar a derrota. Vai aumentar a repressão e para isto já conta com apoio de aliados que haviam lhe cumprimentado pela “vitória”. Recebi nesta quinta-feira, mensagem de amiga, professora universitária na Venezuela, cujo nome declino por não ter autorização dela para divulgar. Porém, depois de falar nos “resultados fraudulentos”, ela diz: “Desde segunda-feira não saímos de casa, embora onde vivemos não tenham havido distúrbios. Porém, nos preocupa a entrada no país de militares russos e ‘los avispas’ (vespas) cubanos, que enfrentam os jovens ou se metem nas casas buscando aqueles que foram ‘testigos’ nas mesas de votação”. Por aí pode-se dimensionar o futuro.
