Barr coloca a pá de cal

Barr coloca a pá de cal

Secretário da Justiça disse que não viu fraude que pudesse levar a um resultado diferente nas eleições

Jurandir Soares

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Apesar dos quase 5 milhões de votos populares e dos 74 votos no Colégio Eleitoral a mais para Joe Biden na eleição de 3 de novembro, o presidente Donald Trump seguiu insistindo que houve fraude na eleição e que ele venceu “por larga margem”. Trump mobilizou um dos mais renomados advogados do país, Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova Iorque, para entrar com ações nos diversos estados em que se sentiu prejudicado. Até agora não logrou êxito.

Trump cogitou não autorizar o processo de transição para o governo eleito. Acabou cedendo, mas continuou negando a vitória do oponente, enquanto este ia montando a sua equipe de governo. No decorrer dos acontecimentos algumas figuras do Partido Republicano foram se manifestando no sentido de convencer o presidente a aceitar o resultado. Em vão. Mas tudo começou a mudar nesta terça-feira com a manifestação de uma figura ultraconservadora, leal ao presidente, William Barr, secretário da Justiça, cuja função corresponde também à de procurador-geral dos Estados Unidos. “Até o momento, não vimos fraude em uma escala que pudesse levar a um resultado diferente nas eleições”, disse Barr.

Desta vez Trump sentiu o golpe. Em uma recepção na Casa Branca, na noite desta quarta-feira, segundo uma testemunha citada pela agência Reuters, Trump teria dito de sua vontade de permanecer por mais quatro anos na Casa Branca, mas, “se não for possível, vejo vocês em quatro anos”. Ou seja, pela primeira vez deixou a entender que a derrota é um fato e que sua alternativa para buscar mais quatro anos será a eleição de 2024. Trump tem esta possibilidade porque a Constituição dos EUA estabelece o máximo de dois mandatos para o presidente. Tendo só um, pode se candidatar novamente, porém, nesse caso sem a possibilidade de reeleição.

Assim, Barr colocou a pá de cal na sepultura da permanência de Trump na Casa Branca no atual momento. Mas, como Trump não para, ele criou um Fundo de Defesa da Eleição, onde já arrecadou mais de 170 milhões de dólares. Verba que não tem mais significado para o atual momento, mas, que, seguramente, será utilizada para atividades políticas futuras. O que faz deduzir que no dia 20 de janeiro de 2021 Trump estará voltado não para a transferência de poder para Joe Biden, mas para o lançamento de sua campanha para 2024.


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