Jurandir Soares

Cenário para uma grande guerra

Mundo calcula que a invasão de Taiwan pela China ocorra a partir de 2027. Autoridades militares acreditam que Rússia tome parte

Parece incrível, mas o cenário para uma nova grande guerra começa a se desenhar. Esta semana foi pródiga em declarações de pessoas ligadas à Otan, à Rússia e à China falando no tema. E o cenário que envolve essas declarações vai da Ucrânia a Taiwan, passando pela Europa.

Começamos pelas ações. Na semana passada a China realizou mais um exercício de simulação de invasão de Taiwan. Foram manobras aéreas e navais, realizadas de forma intimidatória no entorno da ilha. Lembrando que Pequim considera Taiwan uma província rebelde, desde que a mesma se desligou, em 1949, quando Mao Tsé-tung invadiu o continente e tomou o poder.

Assim, torna-se cada vez mais claro que a China está apertando o cerco e que se aproxima a data da Invasão. Aí, vale lembrar, que os Estados Unidos firmaram, nos anos 1970, um tratado de defesa com Taiwan, caso a ilha seja invadida. Significa que, se os norte-americanos decidirem mandar força militar para ajudar os taiwaneses, estaremos diante de uma confrontação entre EUA e China.

Foi neste contexto que o novo chefe militar da Otan, o general norte-americano Alexus Grynkewich, disse, nesta quinta-feira, 17, acreditar num embate com China e Rússia ao mesmo tempo, a partir de 2027, data que ele considera que haverá a invasão. Fez esta colocação a parir de um pronunciamento do secretário geral da Otan, Mark Rutte, o qual disse que “a coisa que Xi, provavelmente, fará antes de atravessar o estreito de Taiwan, é dar uma ligada para Putin e pedir ajuda”.

Este tenebroso cenário parte do princípio de que os EUA irão mobilizar suas forças armadas em ajuda de Taiwan. Todavia, pode haver por parte de Washington uma interpretação do acordo no sentido que há um compromisso de ajuda a Taiwan. E esta ajuda poderia ficar apenas no envio de armas, sem um envolvimento direto com suas forças armadas. Isto vai depender de quem estiver ocupando a Casa Branca no momento.

Porém, se Taiwan ainda é um cenário futuro, a Ucrânia é hoje uma guerra de verdade. Para a qual não se vislumbra uma solução negociada e, sim, o seu avanço. Nesta semana, o presidente Donald Trump resolveu dar um prazo de 50 dias para Putin acabar com a guerra. Findo o mesmo, não irá atacar, mas, impor sanções. Porém, ao mesmo tempo, Trump estará municiando o ucraniano Volodimir Zelensky com os armamentos que necessita. E estes armamentos, já ficou claro, não serão apenas para se defender, mas para atacar dentro da Rússia.

E é neste contexto que vem a declaração partida de Moscou no sentido de uma conflagração geral. E esta partiu do ex-presidente russo e homem de confiança de Putin, Dmitri Medvedev. Este falou que “a Rússia poderá fazer um ataque preventivo ao Ocidente, se continuar o apoio a Ucrânia”. Ora, o apoio à Ucrânia não só continuará, como, se incrementará. A Alemanha não só está enviando mais armas, como anunciou a produção conjunta de mísseis com a Ucrânia.

Assim não é sem razão que o ministro da Defesa da Alemanha, general Petrius, disse, há poucos dias, acreditar que até 2029 haverá uma guerra envolvendo seu país e a Rússia.

Este cenário levou os dois maiores rivais na Segunda Guerra Mundial – Alemanha e Inglaterra – a firmarem, nesta quinta-feira, 17, um acordo de ajuda mútua. O documento foi firmado em Londres pelos primeiros-ministros Keir Starmer, da Inglaterra, e Friederich Merz, da Alemanha. O acordo anglo-alemão, conhecido como Tratado de Kensington, promete que os dois países "se ajudarão mutuamente, inclusive por meios militares, em caso de um ataque armado contra um deles". Na semana passada, o presidente francês Emmanuel Macron também visitou Londres e assinou acordo igual. Nessa ocasião, houve um compromisso que soa assustador: concordaram em “coordenar mais estreitamente seus arsenais nucleares na resposta a ameaças contra aliados europeus”.

É por este somatório de atos, ações, pronunciamentos, acordos e ameaças que se desenha este cenário para aquilo que a humanidade não quer saber: uma nova grande guerra. Lembrando que, justo nesta sexta-feira, 18, celebramos os 80 anos do retorno ao Brasil dos nossos expedicionários que foram combater na Europa, na Segunda Grande Guerra. E tudo que não precisamos é de uma Terceira.