Os Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira para uma eleição que poderá mudar os rumos do governo Donald Trump. Mais do que uma disputa parlamentar, as chamadas eleições de meio de mandato representam um julgamento popular sobre a política econômica, a condução da guerra no Golfo Pérsico e a capacidade do presidente de cumprir suas promessas. Serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 33 das 100 vagas do Senado, num momento em que a popularidade de Trump despenca e o custo de vida se transforma no principal adversário republicano.
Hoje, os republicanos controlam as duas casas do Congresso, mas a margem é estreita. No Senado, são 53 contra 47, enquanto na Câmara a maioria é de 218 a 214, com três vagas em aberto. A eventual vitória democrata em uma das casas seria suficiente para impor obstáculos à agenda presidencial e abrir uma nova frente de confronto em Washington.
POPULARIDADE
Com apenas 32% de aprovação, Trump enfrenta uma das fases mais difíceis de seu segundo mandato. A queda de popularidade reflete o desgaste de um governo que prometeu prosperidade, mas que agora convive com inflação crescente, energia cara e uma guerra que ameaça prolongar seus efeitos sobre a economia. O eleitor americano, tradicionalmente sensível ao preço da gasolina e dos alimentos, parece menos disposto a conceder ao presidente o benefício da dúvida.
A eleição também será um teste para a capacidade de Trump de mobilizar sua base. Mesmo sem estar na cédula, o presidente transformou a disputa em um plebiscito sobre sua administração.
INFLAÇÃO
A inflação anual voltou a subir em setembro, alcançando 3,7%, depois de 3,4% em agosto. O aumento foi impulsionado principalmente pela energia, cujos preços avançaram 20,4% no período, enquanto a gasolina registrou alta de 34,2%. O resultado representa um golpe direto no discurso presidencial de que a economia americana estaria sob controle.
O galão de gasolina custa, em média, US$ 4,33, contra US$ 2,98 antes da guerra no Golfo Pérsico. O diesel chegou a US$ 6,29 em setembro, atingindo um recorde e pressionando o transporte, a agricultura e os preços de praticamente todos os produtos.
DÉFICIT
O governo encerrou o ano fiscal de 2026, em setembro, com um déficit de aproximadamente US$ 2 trilhões. O número evidencia um problema estrutural: o Estado americano continua gastando muito mais do que arrecada, alimentando o endividamento e dificultando o combate à inflação.
A combinação de despesas elevadas, juros e custos crescentes de energia corrói o poder de compra das famílias. Para milhões de americanos, a promessa de prosperidade se traduz em contas mais altas e salários que não acompanham a escalada dos preços.
CONGRESSO
A disputa pela Câmara é considerada especialmente decisiva. Uma maioria democrata permitiria controlar comissões, convocar autoridades e abrir investigações sobre o governo. No Senado, a batalha é mais apertada e poderá definir o futuro das nomeações presidenciais, além de influenciar a aprovação de leis e acordos.
A oposição aposta no desgaste econômico para conquistar votos, enquanto os republicanos tentam convencer o eleitor de que a recuperação exige continuidade. O resultado poderá transformar os últimos dois anos de Trump em um período de resistência política.
VEREDITO
As eleições desta terça-feira não decidirão apenas quem ocupará as cadeiras do Congresso. Elas indicarão se os americanos ainda confiam na liderança de Trump ou se estão dispostos a impor limites a um presidente que concentra poder, mas enfrenta dificuldades para entregar resultados.
Se os republicanos perderem uma das casas, Washington entrará em uma nova etapa de confrontação. E a inflação, a guerra e o déficit, que hoje pesam sobre o bolso dos eleitores, poderão se transformar também no maior obstáculo político de Trump.
