Aquela questão que a maior parte da comunidade internacional vê como solução para o histórico conflito do Oriente Médio, dois estados, Israel e Palestina, está de volta em discussão na ONU desde esta segunda-feira, 28. Os dois estados, como condição fundamental, convivendo com fronteiras definidas e seguras.
Hoje, o assunto está mais para utopia do que para realidade. Porém, diante do que vem acontecendo desde 7 de outubro de 2023, a maior parte dos países integrantes das Nações Unidas se dá conta de que, por mais difícil que seja de ser alcançada, a única solução é esta.
MAIORIA
E quando afirmo que a maior parte dos membros da ONU apoia a ideia, me baseio no que já existe de concreto. Ou seja, dos 193 países membros da organização, 142 já reconheceram a existência do Estado da Palestina. E o tema agora tem a adesão da França, país membro do Conselho de Segurança da ONU e uma das expressões da União Europeia. Aliás, dos 27 membros da UE, cinco já reconheceram: Espanha, Irlanda, Noruega, Eslovênia e Suécia.
Na contramão do tema, o Parlamento de Israel acaba de aprovar a anexação ao país da Cisjordânia, que é área onde vive a maior parte dos palestinos e que é reconhecida pela Comunidade Internacional como uma que deve receber o Estado da Palestina. A outra é Gaza.
RADICALISMO
Por este movimento liderado pelo atual governo de Israel e pelas ações que desenvolve o Hamas, percebemos que estamos anos-luz de distância de uma solução. Mas, apesar das dificuldades, o caminho é este. Fora disto é a continuidade da matança mútua, que estamos vendo ao longo dos anos, desde a criação do Estado de Israel. Ou melhor, desde que começou a migração dos judeus para a área dos seus ancestrais. Na ocasião, área da Palestina.
Dentro deste contexto de radicalismo que tem imperado nos últimos tempos, chama a atenção o fato de ter sido deixada de lado a Autoridade Palestina. A organização liderada pelo Fatah, presidida por Mahmmud Abbas, e que tem o grande diferencial de reconhecer o Estado de Israel e propugnar pela existência de dois estados. E aí se destaca o racha que se deu entre os palestinos, pois, enquanto o Fatah tem esta posição moderada e conciliadora, o Hamas destaca-se pelo radicalismo. E, especialmente, por querer a destruição do Estado de Israel.
DIFICULDADE
Este disparate de posicionamentos entre os palestinos comprova o quanto é difícil de se chegar a um consenso. Sem contar as divergências entre palestinos e israelenses. No entanto, não podemos esquecer que, quando da criação do Estado de Israel, em 1948, todo o mundo árabe era contra. Tanto que logo saiu em guerra, tentando aniquilar o Estado judeu. Hoje, países que guerrearam, como Egito e Jordânia, já firmaram acordo de paz com Israel. Outros quatro países árabes – Emirados Árabes Unidos, Barhein, Marrocos e Sudão – também firmaram acordo recentemente com Israel.
A Arábia Saudita também está na fila para firmar acordo, mas o condiciona à solução do problema palestino. E aí é que vem um dado muito positivo. Os sauditas têm poder econômico e liderança no mundo árabe. E um dado importante é que estes mais recentes tratados se deram no âmbito do que foi chamado de Acordos de Abrahão, liderados pelo presidente Donald Trump no seu primeiro governo.
FUTURO
O detalhe é que estes acordos apresentam, pelo menos na teoria, a possibilidade de um futuro brilhante para a região, com a união do conhecimento científico e tecnológico de Israel com o poder de investimento dos árabes. Só que, no primeiro momento, os palestinos sequer foram citados nos acordos. Agora o governo saudita pensa na criação do Estado da Palestina, com investimentos maciços no mesmo, de modo a transformá-lo numa espécie de Vale do Silício.
Com isto, estariam dando emprego e dignidade para os palestinos. Para o pessoal da Cisjordânia, liderado pela Autoridade Palestina, isto cairia como uma bênção. Mas, Gaza? E o Hamas? Aí poderia entrar em ação o Catar, país que tem abrigado as lideranças do Hamas e dado dinheiro para a organização. Portanto, com poder de persuasão. Precisaria também ser bloqueada toda ajuda que vem do Irã em termos de armas e mantimentos.
Ou seja, o caminho é altamente complicado, mas possível. Quem sabe, algum dia, se chegue à solução de dois estados. Até lá só estaremos vendo mais mortes.
