Jurandir Soares

Esquenta a eleição americana

Cenário eleitoral nos EUA embalou com as campanhas intensas de Kamala Harris e Donald Trump

Com Donald Trump já tendo passado pela convenção republicana, onde escolheu seu vice, J.D.Vance, chegou a vez dos democratas, nesta semana, de realizar sua convenção, para oficializar os nomes de Kamala Harris e Tim Walz como seus candidatos. A abertura da convenção teve um aspecto marcante com a despedida do presidente Joe Biden. Em tom emocionado, ele disse: “América, eu dei o melhor de mim para Você”.

Na realidade, Biden deixa o governo com um legado muito positivo numa das áreas que mais pesa: a economia. Ainda nesta semana foi ressaltada a alta das Bolsas pelo mundo, graças aos bons resultados da economia americana. A propósito, a inflação nos EUA chegou a 9,1% em 2022, na esteira da crise da pandemia. Também nesta semana, o CPT, Índice de Preços ao Consumidor do país, caiu 0,1%, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho. O resultado significa uma desaceleração na comparação anual. Nos últimos 12 meses até julho, o índice de inflação anual ficou em 3%.

SAÍDA

Com isto, Biden, que foi convencido a não concorrer à reeleição, deixa em alta o governo. Embora seja necessário ressaltar que ainda restam cinco meses até a posse, a 20 de janeiro, e muita coisa possa acontecer. Mas, no seu pronunciamento na convenção, Biden parece ter se mostrado conforme com a decisão de não concorrer. Uma decisão que passou muito por uma figura de expressão do Partido Democrata, a ex-presidente da Câmara de Representantes Nancy Pelosi. Ela foi uma das maiores batalhadoras pela troca de Biden por Kamala. A propósito, na hora de manifestar seu apoio a Kamala, Biden aproveitou para dar um “cruzado de direita” em Trump, ao dizer para o eleitorado “votar numa promotora e não num criminoso”.

É preciso ressaltar também que Trump, com sua soberba, tem passado por cima de todos os processos que correm contra ele. Diz-se vítima de perseguição e aproveita cada audiência em um Tribunal para impulsionar sua campanha política.

DIFERENÇA

Houve, no entanto, uma diferença marcante nas convenções dos partidos Republicano e Democrata no que toca ao apoio a seu candidato. Para dar apoio a Kamala Harris compareceram à convenção e subiram ao palco figuras marcantes do partido, como o ex-presidente Bill Clinton e sua esposa, Hillary Clinton, ex-secretária de Estado e candidata que concorreu com Trump, a quem venceu no voto popular, por cerca de 3 milhões de votos, mas perdeu no colégio eleitoral. Aliás, abrindo um parêntese para dizer que naquela ocasião, apesar do ocorrido, não houve contestação alguma ao resultado. Já na eleição em que perdeu para Biden, Trump “viu” fraude por toda a parte e apoiou uma condenável invasão do Capitólio por seus adeptos.

Ainda com relação ao apoio a Kamala, estiveram presentes o ex-presidente Barack Obama e a carismática ex-primeira-dama Michelle Obama, que chegou a ser cogitada para ser companheira de chapa de Kamala, mas cuja indicação foi inviabilizada porque o partido teria duas mulheres concorrendo. E as duas negras.

AUSÊNCIA

Por isto que foi escolhido para vice outra figura que se destacou na convenção, o governador de Minessota, Tim Walz. Pessoa com enorme influência em território eminentemente republicano, o Meio-Oeste. Já na convenção republicana, realizada a 19 de julho, não houve presença de figura de expressão do partido para apoiar Trump. Uma ausência muito percebida, por exemplo, foi do ex-presidente George W. Bush, o único ex-presidente republicano ainda vivo. Assim como também foi sentida a ausência do ex-vice-presidente de Trump Mike Pence. Este rompeu com Trump quando do episódio de invasão do Capitólio, onde seria realizada a sessão para a nomeação de Biden como presidente. Trump pressionou Pence a não realizar a eleição.

Trump é uma espécie de trator que passa por cima de tudo. Ele fez o Partido Republicano ter que engoli-lo, a despeito de nunca ser filiado. E este seu estilo fez, inclusive, com que alguns integrantes dos republicanos estivessem na convenção democrata para manifestar apoio a Kamala. Mas, por outro lado, Trump cativa o eleitorado mais conservador.

Enfim, o certo é que a campanha americana embalou.