Jurandir Soares

Estados Unidos na guerra

É importante que o conflito termine logo, para não gerar o envolvimento de outros atores

A guerra entre Israel e Irã segue sem perspectiva de terminar no curto prazo. Pelo contrário, segue com a possibilidade de ampliar-se, envolvendo diretamente os Estados Unidos. Isto porque Washington tem feito advertências ao Irã para não atacar instalações americanas no Oriente Médio. O Irã disse que, se os EUA ajudarem a proteger Israel, irá atacar. Ora, é sabido que o sistema antimísseis israelense conta com o apoio de estruturas norte-americanas.

Isto não é novidade. Como também não é novidade a substancial ajuda militar que, historicamente, os Estados Unidos dão a Israel. Todavia, como não se sabe a reação dos aiatolás, de repente, podem entender que a proteção antimíssil passou a ser dada agora e atacarem instalações norte-americanas. Imaginem-se as consequências!

VÍTIMAS

O Irã declarou que aceita um término no conflito se Israel parar com os ataques. O detalhe é que Israel, inicialmente, tinha um objetivo declarado e agora já declarou mais outro. O primeiro, acabar com o programa nuclear iraniano, o qual atacou fortemente. E o revelado agora é acabar com as bases de onde são lançados os mísseis terra-terra.

Esses mísseis são os responsáveis pelas mortes e pela destruição de prédios em Israel. Então, acabar com eles seria, teoricamente, evitar perdas como Israel está sofrendo agora. O problema é que alcançar este objetivo demandará mais tempo. Enquanto isto, começam a surgir contestações dentro de Israel com a extensão da guerra, com a destruição e as mortes que vem aumentando dia a dia no país.

REAÇÃO

Embora os israelenses estejam acostumados a, seguidamente, irem para os bunkers em busca de proteção, há muito não sofriam um ataque das proporções dos que estão acontecendo. E, embora entendam o objetivo do governo, anseiam para que o conflito termine o mais rápido possível. Como disse o correspondente da CNN em Israel, Isaque Levi: “Vivemos no modo sobrevivência. Em estado de tensão permanente”.

Em meio a isto, vem a informação, partida de Teerã, de que o Irã prepara um maciço ataque a Israel com mísseis e drones. Seria o “maior ataque da história”, segundo a mídia iraniana.

Além disto, é importante que o conflito termine logo, para não gerar o envolvimento de outros atores. Não só os EUA em apoio a Israel, como os houthis do Iêmen em apoio ao Irã. Especialmente, pela possibilidade de uma ação dos mesmos em bloqueio ao Estreito de Ormuz, por onde sai o petróleo do Golfo Pérsico. Fato que provocaria uma disparada no preço do produto no mercado internacional.

G7

Já a idílica aldeia de Kananaskis, situada entre as Montanhas Rochosas no Canadá, cenário próprio para uma Lua de Mel, dá lugar nestes dias a uma conferência que, de antemão, apresenta uma enorme divergência entre as economias do chamado G7, grupo dos sete países mais ricos do planeta. Na contramão dos interesses da maior parte do grupo está o presidente norte-americano Donald Trump.

Um ato simbólico estampou estas divergências. Sabe-se que o presidente Trump já manifestou, diversas vezes, sua intenção de tomar a Groenlândia. Ilha que pertence à Dinamarca e onde ele quer estabelecer hegemonia e instalar bases militares. Pois, a caminho do Canadá, o presidente francês Emmanuel Macron fez uma parada na Groenlândia, para, ostensivamente, manifestar sua solidariedade aos ilhéus e sua contestação às pretensões de Trump.

AMEAÇAS

Ironicamente, o encontro é realizado no Canadá, o país que Trump quer transformar no 51º estado norte-americano. As divergências de Trump com seus parceiros da Europa, Canadá e Japão, são a cada dia maiores. Primeiro, tivemos a negativa de Trump de continuar ajudando a Ucrânia na guerra que trava contra a Rússia. Algo que a Europa considera fundamental para evitar, o que pode ocorrer, ou seja, um avanço da Rússia a outros países vizinhos após a conquista na Ucrânia.

Soma-se a isto o desprezo que Trump tem demonstrado para com a Otan. Os europeus se deram conta de que precisam tratar de se armar, pois veem diminuída a possibilidade de contarem com a ajuda dos EUA em caso de conflito. E vieram ainda as taxas que Trump resolveu implantar ao comércio com todos seus parceiros.

Assim é que, o máximo de consenso que se espera deste encontro é uma mensagem final clamando pelo fim da guerra entre Israel e Irã.