A confrontação bélica entre Israel e Irã é algo que vem se desenhando há algum tempo. E se incrementa agora diante da execução pelas forças israelenses do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em Teerã, e, na extensão, pelas declarações dos líderes dos dois países. Pois, tão logo foi noticiada a morte de Haniyeh, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu vingança, enquanto que o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse que Israel vai cobrar alto se for atacado.
O Irã disse que os Estados Unidos também são responsáveis pela morte de Haniyeh, o que foi descartado pelo secretário de Estado Anthony Blinken. Na realidade, se Israel tivesse um apoio direto dos EUA já teria atacado o Irã há muito tempo. Netanyahu muitas vezes buscou o apoio norte-americano para esta ação, diante da perspectiva de que o Irã estaria trabalhando para ter a sua bomba atômica. Todavia, nem Joe Biden nem seu antecessor Donald Trump quiseram dar apoio a essa ação, por dois motivos. Um, o custo financeiro e em vidas de uma confrontação com Teerã. Outro, a constatação que é feita pela Agência Internacional de Energia Atômica de que, embora estejam trabalhando no enriquecimento de urânio, os iranianos ainda estão longe de ter sua bomba.
LIDERANÇA
Haniyeh era o mais conhecido dentre os três ou quatro líderes que conduzem o Hamas. Vivia no Catar com todo o conforto que o emirado oferece, enquanto sua família vivia e morria na Faixa de Gaza. Três filhos e quatro netos dele morreram em decorrência dos ataques de Israel. A alegação para ele viver no Catar era a de ter liberdade para deslocar-se para onde fosse necessário. Na realidade, ele atuava mais como uma espécie de diplomata da organização terrorista. Era Haniyeh que pilotava pelo Hamas as negociações com relação ao conflito de Gaza. Porém, como circulava pelo Oriente Médio, se tornava um alvo alcançável pelo serviço secreto de Israel. Tanto que agora, quando foi a Teerã para a posse do novo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acabou sendo executado. Fato que deixa mais perto uma confrontação direta entre Israel e Irã e que coloca mais lenha na fogueira do Oriente Médio. Especialmente, no que toca ao confronto de Israel com o Hamas.
EXTENSÃO
Vale salientar que a execução de Haniyeh ocorreu poucas horas depois de Israel anunciar ter matado o principal comandante militar do Hezbollah, Fuad Shukr. O que ocorreu em um ataque aéreo no Líbano, em retaliação ao ataque da organização terrorista a uma pequena cidade das Colinas de Golã, ocupadas por Israel, que matou doze jovens. Tanto Hezbollah como Hamas, assim como também a Jihad Islâmica, que atua em Gaza, são organizações patrocinadas pelo Irã.
Assim, cresce a possibilidade de o Irã concretizar algum tipo de ataque a Israel. Fica a dúvida de como se dará e qual será a reação israelense. Vale lembrar que, em abril, o Irã disparou mais de 300 mísseis e drones contra Israel, em reação ao assassinato na Síria de um alto comandante de sua Guarda Revolucionária e mais seis outros membros. Esse ataque, no entanto, pareceu demonstrar que o Irã queria dar uma resposta, porém, sem causar maiores estragos em Israel.
DECLARAÇÃO
Agora tem-se a declaração do aiatolá Khamenei, líder supremo do Irã, de que “é um dever de Teerã executar a vingança”, o que cria um clima extremamente perigoso no já conturbado Oriente Médio. Kasra Naji, correspondente da BBC Persa, expressa preocupação com a resposta do Irã. Que pode envolver ataques em grande escala contra Israel. Se isto acontecer, é praticamente certo que Israel responderá também com ataques em massa, em especial contra as instalações nucleares iranianas.
A propósito, só para destacar, Israel, embora não admita, é uma potência atômica. Porém, ninguém cogita do uso desse artefato. Mas, em termos militares, tanto Israel quanto Irã são dois países muito bem armados. Capazes, portanto, de proporcionar uma guerra de proporções inimagináveis. Algo que a região e o mundo não merecem neste momento.
