O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump foi condenado nos 34 processos a que respondia perante a Justiça, onde o crime maior é manobra financeira para ocultar o pagamento de 130 mil dólares à atriz pornô Stormy Daniels, para comprar o silêncio dela antes das eleições de 2016. Concluído o julgamento, só fica uma certeza: a decisão foi tomada de forma unânime pelos 12 jurados. O que vai acontecer daqui para a frente fica no terreno da especulação. São múltiplas as possibilidades.
Há, todavia, uma outra certeza, Trump é o primeiro presidente dos Estados Unidos a ser condenado pela Justiça. A sentença deve sair a 11 de julho e tudo fica no terreno da especulação. Porém, o mais curioso é que Trump pode ir para a prisão e ainda assim ser presidente. Como também, em caso de condenação à prisão, pode, se eleito, assumir a presidência e só depois de cumprir o mandato ir para o cárcere. Tudo está de acordo com a Constituição norte-americana, que dá mais poderes ao voto do cidadão do que à decisão da Justiça.
REQUISITOS
A Constituição dos EUA estabelece poucos requisitos de elegibilidade para os candidatos à presidência. Não há como no Brasil a exigência da ficha limpa. Precisa basicamente ser nascido no país e ter pelo menos 35 anos. Quanto à condenação, Trump, seguramente, irá recorrer, seja qual for a pena. Já referendou isto em pronunciamento nesta sexta-feira, 31, quando ressaltou que o julgamento foi manipulado. E quanto à pena, é possível que o juiz Juan Merchan, que irá dar a sentença, leve em consideração o fato de Trump já estar com 77 anos, ter ausência de antecedentes criminais e o crime cometido não ser violento. Ir para a cadeia é algo quase impensável, pois, como ex-presidente, ele tem direito a segurança especial, o que seria difícil na prisão.
Tudo que está por acontecer demandará muito tempo e irá se mesclar com o processo eleitoral. E aí ficam as especulações sobre qual influência a condenação terá na votação de Trump. Uma pesquisa da CNN norte-americana em cinco estados considerados chaves para a eleição, os chamados estados pêndulos - Arizona, Geórgia, Michigan, Pensilvânia e Wisconsin –, indicou que 25% do eleitorado trumpista iria pensar a respeito de seu voto. E 5% manifestaram que não votariam nele se condenado.
ANTECEDENTES
Ao sair do tribunal em Manhattan, nesta quinta-feira, Trump se disse perseguido, chamou o juiz de corrupto e destacou: “Nossa nação está em declínio. Declínio sério”. Pois ele próprio tem colaborado muito para isto. Especialmente no que diz respeito aos preceitos democráticos. A compra do silêncio de Stormy Daniels já foi alguma coisa para não prejudicar sua candidatura. Mas o que fez de pior foi depois de se tornar presidente. Ou, mais especificamente, depois de perder a reeleição. Tivemos, por exemplo, a invasão do Capitólio por seus eleitores, inconformados com o resultado. Ele foi conivente. Apesar de advertido, não fez nada para parar os atos. Além disto, pediu a seu vice, Mike Pence, que presidia a sessão do Congresso, que impedisse a nomeação de Joe Biden. Antes disto, enquanto se desenvolvia a apuração da eleição em que perdeu para Biden, ligou para o procurador do estado da Georgia, pedindo que lhe conseguisse 11 mil votos. Depois de deixar a Casa Branca levou consigo documentos secretos, que foram resgatados de sua residência de Mar-a-Lago, na Flórida. E, seguramente, que ainda será interpelado pelo juiz que chamou de corrupto.
CAMPANHA
Não se pode esquecer, no entanto, que Trump está em campanha. E tudo que está acontecendo incorpora-se à mesma. Ele já vem há meses ocupando destaque na mídia em função das audiências nos tribunais. Cada audiência é um ato político. Nesta semana esteve todos os dias ocupando os principais espaços em rádio, TV, jornal e mídias sociais. Tudo dentro daquele esquema: falem mal, mas falem de mim.
As pesquisas com relação às eleições de novembro estavam dando leve vantagem para o republicano. Em função dos 5% de seus eleitores que disseram não votarem nele coso condenado, tem-se um empate técnico. Joe Biden vai para o pleito com o desgaste de quem ocupa a presidência, embora tenha conseguido uma recuperação da economia do país pós-pandemia. Soma-se sua idade, 82 anos, o que significa que, se eleito, terá 86 ao terminar seu mandato. Enfim, as incertezas ficam não só em relação ao futuro de Trump, mas também com relação ao futuro ocupante da Casa Branca.
