Jurandir Soares

Maduro sob a mira de Washington

O mote é o combate ao narcotráfico que faz entrar fentanil no território americano

Está chamando a atenção do mundo a mobilização de uma frota norte-americana para a costa da Venezuela. Afinal, são três destroyers equipados com mísseis teleguiados, um submarino de combate e aviões de guerra, envolvendo um contingente de 4 mil fuzileiros navais. E qual é o mote para essa mobilização?

No dia 8 de agosto Trump ordenou ao Pentágono utilizar as Forças Armadas para fazer cumprir a lei perante os cartéis estrangeiros de narcotráfico. A ordem proporcionou uma base legal para empreender operações militares diretas contra grupos de narcotraficantes, mesmo em território estrangeiro e suas respectivas águas territoriais.

CARTÉIS

Então, o mote é o combate ao narcotráfico que faz entrar, entre outras, a droga fentanil no território americano. Mas por que a Venezuela? Porque os Estados Unidos consideram o ditador Nicolás Maduro chefe de uma organização do narcotráfico, denominada Los Soles. E esta visão não é de agora, do governo Trump. Já vem desde o governo Biden, que havia divulgado um cartaz com a foto de Maduro, oferecendo uma recompensa de 25 milhões de dólares por sua captura. Trump deu sequência a essa ação, duplicando a recompensa, passando para 50 milhões de dólares “para quem oferecesse informações que levassem à prisão de Maduro”. No mínimo curioso, pois todo mundo sabe onde fica o palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano.

COMANDO

Há a convicção entre os norte-americanos, e que se espalha por outros países da América latina, de que a Venezuela está sob um narcogoverno. Que Maduro é o líder do cartel Los Soles. A crença é de que há no país uma aliança entre governo, militares e narcotráfico. Diosdado Cabello, ministro do Interior e da Justiça e número dois do chavismo, rechaça que seu país seja produtor e distribuidor de drogas. E diz que “molesta os Estados Unidos que tenhamos derrotado o narcotráfico, que tenhamos exterminado os bandos criminosos no país”.

Daí a pergunta que cabe: terminaram com o narcotráfico ou se associaram a ele? Afinal, especialmente aqui na América latina, é uma luta intensa dos governos sem conseguir sufocar o narcotráfico. Até mesmo a Colômbia, que depois de muito tempo e com a ajuda dos Estados Unidos, derrotou os cartéis de Medellin e de Cali, hoje convive novamente com o enfrentamento às drogas. Então, esta tranquilidade na Venezuela pode ser fruto de uma associação, como vem sendo denunciado pelo governo norte-americano.

MILÍCIAS

O ridículo é que, diante da aproximação da frota norte-americano, Maduro fez uma convocação às milícias “para defender a pátria.” Convocou 4,5 milhões de milicianos. Essas milícias são uma criação do ex-presidente Hugo Chávez e foram aumentadas e aprimoradas por Maduro. São grupos de pessoas sem qualificação, que receberam armamentos e motos para combater adversários do governo. Conseguiram, por exemplo, acabar com os protestos populares contra os desmandos do governo, protestos, inclusive, contra as eleições fraudulentas.

Sempre que acontecia um protesto esses milicianos apareciam atirando contra os que protestavam. Assim, depois de muitas mortes, ninguém mais se atreveu a sair às ruas para protestar.

ENFRENTAMENTO

O detalhe é que a ameaça agora contra o regime não é interna. A ameaça é uma frota da nação mais poderosa do mundo que chega junto à costa venezuelana. Mas, a grande indagação que fica é sobre o que fará essa frota. Custa crer que vá atacar a Venezuela. Ou mesmo que irão mandar um comando a Caracas para sequestrar Maduro.

Parece mesmo que será uma ação apenas intimidatória e um recado com relação às intenções de Maduro de invadir a Guiana e tomar a província de Esequibo, que ele já colocou no mapa venezuelano como sendo pertencente a seu país. Enfim, razões para pressionar Maduro e seu regime fraudulento não faltam.