Jurandir Soares

Muita reunião e pouca solução

COP29 no Azerbaijão e cúpula do G20 no Brasil têm a participação das mais importantes lideranças de vários países, mas pouco se pode esperar de efetivo que resulte dos encontros

Duas expressivas reuniões estão em andamento, ambas com a participação das maiores autoridades do mundo. Falo do G20, que está trazendo para o Rio de Janeiro dirigentes das maiores potências, como o presidente Joe Biden, dos Estados Unidos, o chinês Xi Jinping e o francês Emmanuel Macron, dentre outros tantos. Já em Baku, no Azerbaijão, estão reunidas as maiores autoridades climáticas do mundo, visando encontrar medidas que possam estancar o aquecimento do clima e, por extensão, evitar as sucessivas catástrofes climáticas que temos vivenciado ultimamente.

TEMAS

Pouco se pode esperar de efetivo que resulte dessas reuniões. No Rio, além das maiores economia do mundo, estão representados vários outros países ou grupos econômicos, como o Mercosul e a ASEAN, a associação do Pacífico. Os temas flutuam sobre assuntos como economia sustentável, combate à fome, mudanças climáticas etc. Aliás, este último tema é o mote principal da reunião de Baku.

Aqui no Rio, os participantes não conseguem chegar a consenso sobre um dos principais temas que flagela o mundo: a guerra. Muitos conflitos seguem acontecendo na periferia, como as guerras civil da Síria, que já tem 13 anos, do Iêmen, do Sudão etc. Estes nem vão a debate. Só merecem realce as duas principais guerras que estão acontecendo: a na Ucrânia e a de Israel.

DOCUMENTO

As divergências quanto aos apoios – a Israel ou ao Hamas/Hezbollah; à Ucrânia ou à Rússia – têm sido um entrave para a formalização de um documento final para a reunião do G-20. O tema é tão controverso que o Brasil tem feito um esforço muito grande para tirá-lo da declaração final. A pergunta que se impõe é: não deveriam ser justamente estas 20 maiores economias do mundo que deveriam agir em busca de acordos para pôr fim a essas guerras? Deveriam, mas não fazem nada. Pela contrário, procuram pular fora nos temas mais espinhosos.

E o curioso é que um dos temas do encontro é a chamada Governança Global, que pretendem estabelecer. Cumpre lembrar que este papel já tem um responsável, que é a ONU. O problema é que muitos membros passam por cima das decisões do organismo. Não se submetem a uma Governança Global e, como tal, este tema é mais uma perda de tempo.

CLIMA

Quanto à reunião que visa combater a elevação da temperatura global, para evitar as catástrofes, já esbarra numa questão crucial: o dinheiro para esse combate. Segundo está sendo divulgado, os países emergentes precisam de um trilhão de dólares para financiar suas ações. De onde sairá este dinheiro? Quem irá emprestar? E como irão pagar? São quase 200 países que estão reunidos no Azerbaijão. Na sua grande maioria sem condições de arcar com financiamentos.

Mas o problema não se resume a estes países. Passa pelas grandes potências. A China é um dos maiores poluidores do mundo. E os Estados Unidos sob Donald Trump voltarão a investir pesado nos combustíveis fósseis. Aliás, se fala muito em combustíveis limpos, mas até agora não se viu uma diminuição da produção de petróleo pelo mundo.

ECO-92

O meu ceticismo se dá por experiência. Em 1992, cobri para o Correio do Povo e Rádio Guaíba a conferência mundial do clima denominada Rio-Eco-92. Chefes de Governo ou de Estado da maior parte dos países estiveram presentes, participando dos acalorados e entusiasmados debates. Tudo pareceu correr tão bem que, ao final do encontro, eu mandei a seguinte manchete para a edição de domingo do Correio do Povo: “Começa a faxina no mundo”.

Como se observa, já se passaram 32 anos e o mundo segue a cada dia mais sujo. No próximo ano ouviremos essas mesmas conversas de limpeza do mundo aqui, em Belém do Pará, por ocasião da COP30. E assim vamos levando.