Jurandir Soares

Não é terceira guerra

De um lado temos Israel e a maior potência bélica do mundo, Estados Unidos. Porém, do outro, temos somente o Irã e precisaria uma potência se unir a ele

Donald Trump informara que em duas semanas decidiria se entraria na guerra com o Irã. No entanto, no sábado, já decidiu agir, mandando seus aviões B-2 lançar as poderosas bombas, capazes de atingir as instalações nucleares do Irã em sua profundeza. Ação saudada por uns, contestada por muitos outros, mas capaz de provocar um temor pelo mundo afora: estaríamos nos encaminhando para a terceira guerra?

Esta hipótese é descartada de pleno pelo seguinte: está certo que de um lado temos Israel e a maior potência bélica do mundo, Estados Unidos. Porém, do outro, temos somente o Irã. Precisaria uma potência se unir a ele. A China não quer se envolver militarmente com nada. Pelo contrário, quer aproveitar este envolvimento dos EUA para avançar com a sua Rota da Seda.

DELEGAR

Sobra a Rússia. Esta tem até tem um dever moral com o Irã, que é quem lhe fornece os drones que usa contra a Ucrânia. Porém, a Rússia está atolada até o pescoço nesse conflito, não tendo as mínimas condições de partir para outro. O máximo que a Rússia poderia fazer seria delegar esta tarefa para uma potência inferior que está louca também para ter sua bomba atômica, a Coreia do Norte, que já auxilia Moscou na guerra com a Ucrânia. Mas, entre auxiliar a Rússia contra a Ucrânia e apoiar o Irã contra Israel e EUA vai uma diferença muito grande. O fato é que o regime dos aiatolás vai resultar sozinho nessa parada.

Se é para falar em terceira guerra, esta possibilidade segue sendo maior na Ucrânia. Ali já se tem uma potência envolvida, a Rússia. Do outro lado, lutando de forma indireta, toda a Europa. E ainda Estados Unidos, embora afastados no momento. Não é sem razão que a Otan acaba de aprovar a elevação de 5% do PIB de cada país para o orçamento militar.

RÚSSIA

Já de parte da ajuda russa ao Irã, esta perspectiva se esvaiu nesta segunda-feira, com a ida a Moscou do chanceler iraniano, Abbas Aragchi. Este se encontrou com o presidente Vladimir Putin e o máximo que recebeu foi solidariedade. "A agressão absolutamente não provocada contra o Irã não tem base ou justificativa", disse Putin e reafirmou seu apoio à teocracia iraniana ante os ataques de Israel e dos EUA. Por ora, foi só o que o diplomata conseguiu.

CONTINUAÇÃO

O que é certo é que a guerra Israel x Irã continuará, até porque Tel Aviv anunciou que tem ainda cerca de 100 alvos a serem atingidos. Nisso estariam não só as questões relacionadas à produção nuclear, mas também as bases de lançamento de mísseis. Até porque, mesmo com toda a capacidade de contenção, sempre escapam alguns que têm promovido grandes estragos.

Tanto o primeiro ministro Benjamin Netanyahu como o porta voz do Exército israelense, o brasileiro Rafael Rozenszajn, enfatizam que não podem ver o poderio atômico nas mãos de líderes que vivem clamando “Morte a Israel” ou “Morte ao Estado Judeu”. E um regime que dá suporte a todos os movimentos terroristas da região que pensam como os aiatolás. Ou seja, Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmica, Houthis, etc. Todos querem o fim de Israel.

APOIO

Assim é que, apesar das contestações de muitos países por entenderem que Israel violou o Direito Internacional com seu ataque ao Irã, não deixa de haver o entendimento quanto ao combate àqueles que têm na eliminação do Estado Judeu o seu principal objetivo. Aliás, mesmo com o ataque ao Irã, Israel não parou com as ações em Gaza e iniciou outra no Líbano contra o Hezbollah.

Em meio a todos esses conflitos, o que merece maiores contestações é o ponto a que foi levado o da Faixa de Gaza. Plenamente aceitável no início com a caça aos terroristas do Hamas, que lá se refugiavam. No entanto, chegou ao ponto inaceitável de termos mais de 55 mil civis palestinos mortos. Chocante. Urge uma mediação forte para que sejam logo entregues todos reféns que restam, com o respectivo término do conflito.

REVIDE

Sobre a informação de ataque iraniano com mísseis à base dos EUA no Catar, é algo que já era esperado, afinal, com 52 bases militares no Oriente Médio, era quase certo que uma delas seria alvo de revide. O problema é que isto dá continuidade à guerra do Irã com os Estados Unidos. Trump havia dito que cumprira a missão com os ataques às bases nucleares. Agora, provavelmente, vai ter que fazer nova ação, podendo a guerra se ampliar, mas sem a perspectiva de uma terceira guerra. E, ontem ainda, o presidente dos EUA anunciou que Irã e Israel concordaram com um cessar-fogo total no conflito.