A China mobilizou neste domingo a Marinha, a Força Aérea e o Sistema de Foguetes, além de outros setores do Exército de Libertação Popular, para movimentos no Norte, Sul e Leste de Taiwan, além do estreito que separa a ilha do continente, com simulações de bloqueio de portos e ataques ao território. Uma manobra altamente intimidatória, que se seguiu a uma manifestação do presidente de Taiwan, Lai Ching-te, ao falar em um evento que não há subordinação de Taipé a Pequim.
Ações intimidatórias da China têm sido desenvolvidas não só contra a ilha, considerada uma república rebelde, mas também contra os países com os quais divide as águas territoriais do chamado Mar do Sul da China. Pequim quer, simplesmente, tomar conta de toda aquela área, inclusive, criando ilhas artificiais como base de apoio. Porém, é inquestionável que o objetivo maior hoje é Taiwan.
HISTÓRIA
Para entendermos o problema temos que remontar ao ano de 1948, quando Mao Tsé-tung, à frente do Exército Vermelho, invadiu a China continental e tomou o poder, implantando ali o regime comunista. O então presidente Chiang Kai-shek refugiou-se na ilha de Taiwan, mantendo ali o capitalismo que antes vigorava no continente. Recebeu desde logo o apoio dos Estados Unidos.
Diferentemente do continente onde foi implantado um regime repressivo, na ilha seguiu vigorando a liberdade democrática e o livre empreendedorismo. No continente, morreram, ao longo dos anos que se seguiram à revolução, cerca de 30 a 40 milhões de pessoas que foram forçadas a ir para o campo produzir, sem terem a mínima afinidade com a prática. Na ilha, gradativamente, foi se dando um crescimento tecnológico e econômico. Hoje é o maior fornecedor mundial de semicondutores.
ALIANÇA
Na medida em que crescem as ameaças de Pequim sobre Taipé, crescem também as indagações sobre qual será o papel dos EUA nesse conflito. Isto porque os EUA têm sido um aliado permanente de Taiwan, a quem tem fornecido os mais modernos tipos de equipamentos militares. Além disto, desde os tempos do governo Trump, Washington mantém com Pequim o que é chamado de Guerra 2.0, que nada mais é do que uma guerra comercial. Quando na presidência, Trump resolveu barrar a entrada de muitos produtos chineses no mercado norte-americano, numa verdadeira ação protecionista.
De sua parte o governo de Xi Jinping tem obstaculizado a aproximação de autoridades norte-americanas com Taiwan. Ainda quando era presidente da Câmara dos Representantes a democrata Nancy Pelosi fez uma visita à ilha, sem ter contatado Pequim, o que foi motivo de grandes protestos dos chineses e até de ameaça de rompimento de relações.
GUERRA
O fato é que parece se aproximar cada vez mais o dia em que a China vai invadir Taiwan. Para que isto não aconteça, Pequim oferece a possibilidade de um diálogo para a reunificação com um governo conjunto. Ora, este governo conjunto significa a democracia taiwanesa ser engolida pelo comunismo chinês. Os taiwaneses sabem disto e não querem este diálogo, o que tem feito aumentar o número de manobras intimidatórias. Ao mesmo tempo, os EUA, de maneira desafiadora, seguem fazendo exercícios navais por águas do mar do Sul da China.
O general Mike Minihan, chefe do Comando de Mobilidade Aérea dos EUA, chegou a prever que os dois países – China e Taiwan - irão entrar em guerra em 2025. E a questão é se os EUA irão entrar no conflito. Os indicativos são de que continuarão a armar Taiwan e a dar suporte logístico, mas não entrarão numa guerra direta, pois a consequências seriam imprevisíveis.
DESTRUIÇÃO
Porém, mesmo que não ocorra uma intervenção norte-americana, imagine-se o que sejam as consequências de uma guerra, principalmente para Taiwan. Destruição de seu parque tecnológica e submissão a Pequim. Sem contar o número de vidas a serem perdidas. As consequências se estenderiam para o mundo que ficaria privado do maior fornecedor mundial de chips. Não é sem razão que o governo Biden tratou de incrementar a produção desses componentes no Vale do Silício.
Enfim, o cenário é de uma terrível guerra pela frente. Não se sabe quando, porém a data se aproxima cada vez mais depressa.
