Pelo que anunciou o presidente norte-americano Donald Trump, neste dia 6 de agosto entram em vigor as taxas de 50% impostas aos produtos brasileiros. Para que isto não aconteça e haja, pelo menos, uma protelação, dependemos de um improvável telefonema do presidente Lula para Trump. Afinal, o norte-americano já disse que estava aberto a receber uma ligação de Lula.
O brasileiro, por sua vez, tem dito que está aberto a receber uma ligação de Trump. Só que, quem tem que ligar é quem está sendo ameaçado. Quem precisa tentar evitar o pior para seu país é Lula. E uma conversa pode, quem sabe, pelo menos ampliar a lista de exceções de produtos brasileiros, que já chega perto de 700.
MINERAIS
Se Lula cair na real e deixar de lado aquele proselitismo político de que “ninguém bota a mão nos nossos minérios”, ele pode fazer desses minérios um importante poder de barganha. Os Estados Unidos precisam muito destes minerais estratégicos, em que se incluem as chamadas terras raras, dos quais detemos a segunda maior reserva mundial. A primeira está com a grande opositora dos EUA, a China.
Sem esquecer que já somos fornecedores de outros tipos de minérios para os Estados Unidos, como cobre, bauxita, manganês e outros. Só que, os estratégicos, como o nome já diz, têm uma importância muito maior neste mundo de avanços tecnológicos e de Inteligência Artificial. Portanto, uma excelente carta na manga para Lula jogar.
DÓLAR
O problema é que Lula não se mostra disposto a aliviar suas divergências com Trump e iniciar uma negociação. Pelo contrário. Ainda ao meio dia desta segunda-feira, Lula fez mais um pronunciamento enfático, repetindo sua determinação de excluir o dólar do comércio internacional. Ou seja, nova afronta ao americano.
O que se percebe é que Lula não está preocupado em amenizar os problemas para o Brasil decorrentes do tarifaço. Está preocupado, isto sim, com os ganhos políticos do eleitorado desinformado no seu confronto com Trump. Ele já percebeu que o seu índice de rejeição, que estava em 53%, caiu para 49%. Então, segue a campanha com vistas às próximas eleições. O Brasil que se dane.
SEGUIDOR
E quem faz também este papel de “o Brasil que se dane” é Eduardo Bolsonaro. Afinal de contas, ele está nos Estados Unidos com esta missão precípua de agir contra o governo brasileiro e contra o Supremo. O problema é que ele, no que toca às taxas, especialmente, está marcando um gol contra. Está agindo contra o Brasil. Aliás, razão de as principais figuras da direita, que se apresentam como alternativa ao bolsonarismo - Tarcísio, Zema, Ratinho Jr. e Caiado - não terem participado das manifestações de domingo pelo país.
Em meio a isto, o nosso chanceler Mauro Vieira, que não consegue dialogar com ninguém, defendeu que o diálogo é a solução para a negociação com os EUA. Mas sua fala é etérea: “Queremos usar todas as palavras do dicionário para negociar soluções e encaminhar os desafios dessa nossa época”. Até agora não levou a nada.
CULATRA
Já do outro lado, os EUA, na avaliação da conceituada revista The Economist, o tiro vai sair pela culatra. Diz que Trump pensa que está vencendo a guerra comercial, mas os EUA é que perderão. E não precisa ser especialista para perceber que os produtos brasileiros que deixarão de entrar no mercado americano provocarão uma alta de preço para o consumidor local. E na decorrência vem a inflação.
Ao mesmo tempo, o seu maior rival, a China, não perde tempo. Já habilitou 183 empresas brasileiras exportadoras de café para fornecer para o mercado chinês. Aliás, esta é uma alternativa para o Brasil, buscar novos mercados. Especialmente na Ásia, onde muitos países estão em franco desenvolvimento. Infelizmente, esta terá que ser a alternativa. Salvo as negociações diretas de empresários brasileiros, que estão fazendo com seus parceiros americanos. Porque, no que depender do governo brasileiro, não se vislumbra nada.
