Acertado o cessar-fogo entre Israel e Hamas, multiplicam-se as indagações sobre os passos seguintes na região. Isto porque fala-se em parar os combates, sem definição de tempo, mas não se menciona ainda a palavra paz. Ou seja, um acordo permanente de paz. Esta pausa nos combates se daria por 42 dias, o que indicaria que após este período os combates poderiam ser retomados. Porém, há uma ressalva importante que é uma retomada de negociações após o 16° dia de vigência de acordo, para que sejam dados outros passos em direção à ambicionada paz.
REFÉNS
O que mostra a fragilidade do atual acordo é o fato de que serão libertados apenas 33 reféns, dos 94 que se diz estarem em mãos do Hamas. Nem se sabe quantos daqueles a serem libertados estão vivos. E a ânsia da população de Israel é pela libertação de todos os reféns. Enquanto isto não ocorrer não se poderá falar em paz.
E um detalhe significativo é que, embora esta liberação limitada de reféns, um terço deles, o Hamas já conseguiu na contrapartida a liberação de cerca de mil palestinos que estão presos em Israel. Além, evidentemente, de conseguir se livrar, pelo menos momentaneamente, dos bombardeios de Israel. Isto significa que ainda são necessários muitos passos para se chegar a um término oficial da guerra.
AÇÕES
Para se chegar a este primeiro passo no que toca ao fim dos combates houve a mobilização de múltiplos atores, alguns dos quais já vinham trabalhando há muito no tema, como Catar, Egito, Turquia e Estados Unidos. E é curioso o papel dos norte-americanos porque o país está num período de transição, com um governo saindo e outro chegando. Pois, diante disto, conseguiram fazer com que ambos os governos estivessem representados nas conversações.
Isto é muito importante porque o governo Biden traçou um plano para o futuro de Gaza, o qual só poderá evoluir se a administração Trump resolver assumir. E a grande dúvida que logo se estabelece é que o plano prevê, em sua última etapa, a constituição do Estado da Palestina, algo que Trump nunca mostrou muita simpatia. Pelo contrário. Ele sempre esteve ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que quer avançar sobre os territórios destinados ao estado dos palestinos.
PLANO
O plano prevê dar força para a Autoridade Palestina, que controla a Cisjordânia e que aceita a existência de Israel mediante a concretização de dois estados. Para garantir a paz seria estabelecida uma força internacional de paz na fronteira entre a Palestina e Israel. O primeiro problema que se estabelece neste plano é até que ponto a Autoridade Palestina conseguiria controlar o grupo radical Hamas. Sabe-se que a posição dos dois grupos é muito distinta, pois o Hamas teria que mudar sua filosofia de não aceitar a existência de Israel.
Já Israel teria que abrir mão da política de expansão do seu atual governo, que pretende, com o tempo, anexar Gaza e Cisjordânia. Como se não existisse ali uma população palestina, cujo sonho é deixar de ser subjugada por Israel. De qualquer maneira o objetivo do atual secretário de Estado norte-americano, Anthony Blinken, é entregar este plano à administração Trump para ser levado adiante.
IRÃ
Um ponto que favoreceu o atual acordo e que pode permitir um avanço no caminho da paz é o enfraquecimento do Irã. O regime dos aiatolás, que usa o terrorismo como política de Estado, viu seus aliados Hamas e Hezbollah serem massacrados pelas forças de Israel. E mais, viu o seu grande aliado da região, o sírio Bashar al-Assad, ser detonado do poder.
O enfraquecimento do Irã é de grande interesse dos países árabes, que o tem como seu grande inimigo. Ainda mais depois da recente revelação da Agência Internacional de Energia Atômica de que o Irã já possui urânio enriquecido capaz de produzir quatro bombas atômicas. Aliás, um fator de crítica de Trump a Biden, por ele ter se oposto à intenção de Israel de bombardear as instalações nucleares do Irã.
CONDIÇÃO
Assim é que temos um passo inicial no processo de paz com a concretização do presente cessar-fogo. Muitos outros passos ainda precisam ser dados. Porém, é fundamental salientar que, enquanto não for dado o passo final de concretização do Estado Palestino, não se alcançará a paz na região.
