O presidente Donald Trump inicia uma viagem pelo Oriente Médio em busca do que ele gosta de fazer: negócios. E vai tratar com povos que também têm tradição de bons negociantes. São eles da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Catar. Embota na região, Trump não vai ao país que é o maior aliado daquela área: Israel. Isto porque está um pouco desgastado com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Neste caso, apesar de seu radicalismo, Netanyahu não deixa de ter razão no seu descontentamento com Trump. Afinal, o americano fez um acordo com os houthis, movimento terrorista que atua a partir do Iêmen, para que não ataquem mais as embarcações que trafegam pelo Mar Vermelho. Porém, e aí a queixa israelense, não colocou como condição no acordo para não atacarem Israel.
PROTEÇÃO
Trump se preocupou em proteger a circulação dos navios mercantes, ou seja, proteger os negócios. Não se preocupou com o aliado tradicional. Assim é que Israel continuou com seus ataques contra as bases dos houthis em território do Iêmen.
Outro fator de descontentamento de Israel com Trump é a negociação que ele vem realizando com o Irã em torno do programa nuclear daquele país. Teerã alega que seu programa é para fins pacíficos, para utilização na área da medicina. Israel tem convicção de que é para a fabricação da bomba atômica. E alega que, para fins medicinais, basta que o urânio seja enriquecido a pouco menos de 10%. E o Irã já estaria enriquecendo a 64%, sendo que para a bomba atômica o percentual é de 90%.
VOLTA
Quanto a esta questão, cabe uma crítica a Trump pelo fato de o Irã ter avançado no enriquecimento do urânio. Isto porque, no governo Obama fora assinado um tratado com o Irã, que teve ainda as participações dos países membros do Conselho de Segurança da ONU, Rússia, China, Reino Unido e França. E mais ainda a maior economia da Europa, a Alemanha. Trump, quando assumiu no seu primeiro mandato, rompeu o acordo. Naquela ocasião, havia o controle da Agência Internacional de Energia Atômica sobre o programa iraniano, cujo enriquecimento do urânio não chegava a 9%. Com o rompimento do tratado, o Irã seguiu avançando, a ponto de hoje já estar com os anunciados 64%.
NEGÓCIOS
Mas eu falei que Trump fora fazer negócios, que estão sendo implementados com as riquíssimas monarquias da região. A família Trump tem estreitos negócios com a família Salman, que hoje manda na Arábia Saudita. A região se tornou cada vez mais atraente para as Organizações Trump, o conglomerado imobiliário e de hotelaria da família atualmente administrado pelos filhos do presidente Eric e Donald Junior.
Nos últimos anos, o grupo fechou vários acordos com a empresa imobiliária saudita Dar Global, o braço internacional da Companhia de Desenvolvimento Imobiliário Dar Al Arkan da Arábia Saudita. Um luxuoso hotel e resort de golfe da marca Trump está em fase de desenvolvimento em Omã, e as Organizações Trump e a Dar Global anunciaram planos para construção de dois edifícios Trump Tower em Jedah, na Arábia Saudita, e em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
PALESTINA
Trump já consegui mediar acordos de paz com Israel de quatro países árabes: Emirados Árabes Unidos, Barhein, Marrocos e Sudão. Ficou faltando a Arábia Saudita. Estes acordos previam uma ampla cooperação, unindo o conhecimento científico e tecnológico de Israel com o poder de investimentos dos árabes. Os sauditas, que não chegaram a assinar, estão condicionando o acordo a uma solução do problema dos palestinos.
Pois Trump, numa mudança radical, já está falando na criação de um estado da Palestina, sem o Hamas. Seria um acordo que estaria inserido na cooperação árabe-israelense. Nas conversas que envolveram os primeiros acordos, chegou-se a falar em transformar a área onde vivem os palestinos em um novo Vale do Silício. E não se pode esquecer também que Trump falou em transformar Gaza numa “nova Riviera”! E cogitou até construir uma Trump Tower na região. Hoje, tudo é meio utópico, mas, se for para gerar empregos e qualidade de vida para os palestinos que vivem em Gaza e na Cisjordânia, definindo seu estado, e estabelecer a paz com Israel, por quê não?
AVIÃO
E como agradecimento pelos negócios que Trump está impulsionando no Oriente Médio, o governo do Catar resolveu lhe brindar com um “pequeno presente”. Um avião Boeing, equipado com tudo de mais moderno para viagens de um dirigente. Trump pretende aceitar o presente e usá-lo em lugar do atual Air Force One, o avião presidencial.
Enfim, tudo é negócio para o novo mercador do Oriente Médio. Afinal, os novos acordos em Doha, Jedá e Dubai farão com que as Organizações Trump projetem, gerenciem e deem nome às torres e aos resorts de luxo. Os acordos preveem que só com o uso da marca em vez de propriedade, ou seja, só com o uso de seu nome, a família Trump lucrará milhões de dólares.
